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Fapesp lança programa para atrair cientistas estrangeiros ao Brasil

Publicado em 24 outubro 2011

Por Rafael Garcia, de Washington

Fonte: Folha.com

A Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) vai lançar até o fim de novembro uma linha de financiamento para cientistas estrangeiros que queiram trabalhar no Brasil.

A medida será uma das iniciativas da entidade para tentar aumentar o número de colaborações internacionais envolvendo pesquisadores paulistas e aumentar o impacto das pesquisas feitas no Estado.

Segundo o diretor científico da fundação, Carlos Henrique de Brito Cruz, a nova linha de financiamento será lançada já anunciando alguns projetos de pesquisa que serão os "casos-pilotos" da linha de financiamento. Brito mencionou a nova iniciativa em Washington (EUA), onde a Fapesp realiza um evento de três dias para promover a ciência paulista.

"Convidamos cientistas brasileiros e cientistas dos Estados Unidos que colaboram com pesquisas no Brasil para participar", disse Brito, ontem, na abertura do encontro. "O objetivo é aumentar a visibilidade da ciência paulista nos EUA".

A nova linha de financiamento da Fapesp, segundo Brito, vai financiar a estadia de pesquisadores estrangeiros no Brasil em projetos que durem de três a cinco anos. Os cientistas estrangeiros que submeterem projetos terão de se comprometer a trabalhar dentro de universidades de São Paulo durante 12 semanas por ano, e poderão pedir bolsas para estudantes de pós-graduação.

Segundo Brito, uma das vantagens do novo sistema será a flexibilidade que a agência de fomento dará aos pesquisadores líderes dos projetos, que não dependerão das universidades brasileiras para administração.

"Eles se tornam os chefes dos financiamentos, a responsabilidade é deles e o dinheiro fica com eles", disse. "Se eles quiserem trazer estudantes de pós-doutorado do país deles para ficar um tempo em São Paulo, eles ficam vinculados a um instituição do estado, mas podem ser pessoas de qualquer uma das nacionalidades."

Já existe uma iniciativa recíproca realizada pela NSF (Fundação Nacional de Ciência dos EUA), para atrair pesquisadores de fora do país. Um edital da Fapesp junto da contraparte americana permite a pesquisadores brasileiros pedir financiamento para conduzir pesquisas nos EUA também.

BIODIVERSIDADE

Fapesp deve anunciar em breve também um sistema de financiamento binacional para estudos biodiversidade.

"A NSF tem uma iniciativa parecida com o nosso Biota, e nós vamos colar uma na outra", disse Brito, mencionando o programa da agência de fomento para mapear a diversidade de seres vivos e seu estado de conservação em São Paulo. "O edital para selecionar dois ou três projetos de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões cada um deve sair em janeiro ou fevereiro."

BIOCOMBUSTÍVEIS

A agência também lançará em breve um programa de pesquisa em tecnologia para uso de biocombustíveis em aviões.

A Embraer e a Boeing, que já haviam anunciado um acordo de colaboração em pesquisa de biocombustíveis, vão ajudar a Fapesp a financiar um novo projeto no modelo dos Cepids (Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão).

O modelo de instituição, que a agência de fomento já usou para promover ciência em outras áreas, prevê um projeto de 11 anos para atacar barreiras tecnológicas que impedem a indústria de aviação de usar álcool ou biodiesel hoje.

A Fapesp afirma que já está realizando um estudo para implantação do novo centro, mas não diz ainda quanto a iniciativa custará. Segundo Brito, os Cepids que já existem recebem em média R$ 3 milhões por ano.