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Fapesp lança Centro Brasileiro para o Desenvolvimento da Primeira Infância

Publicado em 14 fevereiro 2021

FAPESP lançou o CPAPI ALCentro Brasileiro para Desenvolvimento na Primeira Infância), em parceria com a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e com sede no Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), em São Paulo.

O CPAPI, que irá operar nos mesmos moldes dos dez CPE/CPA (Centros de Pesquisa em Engenharia/Centros de Pesquisa Aplicada) já implantados pela FAPESP em parceria com empresas, terá como missão realizar pesquisa na área de mensuração do DPI (desenvolvimento da primeira infância), integrar dados de DPI registrados por diferentes fontes, organizar cursos e oficinas de e-learning para profissionais do setor público, estudantes do ensino médio ao doutorado sobre o impacto do DPI na evolução para a adolescência e vida adulta. Para tanto, contará, por um período de até dez anos, com recursos da ordem de R$ 16 milhões aportados pelos três parceiros.

“Concebido como um centro de pesquisa orientado à missão, o CPAPI utilizará a abordagem multidisciplinar para buscar solução para um problema tão complexo como o desenvolvimento na primeira infância”, disse Luiz Eugênio Mello, diretor científico da FAPESP, no evento de lançamento do CPAPI.

Coordenado por Naércio Menezes Filho, professor do Insper e da USP (Universidade de São Paulo), o Centro desenvolverá pesquisas que oferecerão subsídio para políticas públicas e para práticas profissionais voltadas ao desenvolvimento de crianças nos seis primeiros anos de vida.

“Ações preventivas adotadas nessa fase podem gerar impactos que vão acompanhar a criança ao longo de sua vida, não só na saúde, mas também nos aspectos comportamentais, desempenho escolar e futuro profissional”, afirmou Menezes Filho.

Uma das iniciativas do Centro será desenvolver uma plataforma para armazenar informações coletadas junto a um grupo de criança e integrar esses dados a registros administrativos de educação e saúde. “Começaremos com um piloto em um município nos primeiros três anos, combinando os instrumentos já disponíveis, como a Caderneta de Saúde da Criança, com dados administrativos de saúde e educação”, adiantou Menezes. A plataforma de dados com essas informações estará disponível a todos os gestores do setor público que implementam os programas de visitas domiciliares no país.

O impacto das ações de monitoramento sobre o desenvolvimento infantil será avaliado por meio de metodologia que permite comparar as diferenças entre coortes nascidas antes e depois da intervenção no município com as do grupo de controle em outros municípios. O Centro também irá coletar medidas biológicas, como padrão de sono, redes neurais funcionais, escores de risco poligênico e marcadores epigenéticos para examinar sua correlação com as medidas da Caderneta de Saúde da Criança e a evolução ao longo da vida.

Adicionalmente, serão implementadas intervenções complementares para melhorar as habilidades de pais e profissionais de diferentes setores que estão próximos das famílias, desde o pré-natal até os 6 anos de idade. “Realizaremos, ainda, intervenções com os Agentes Comunitários de Saúde e avaliaremos os seus impactos nas medidas de desenvolvimento da primeira infância usando ensaios clínicos randomizados”, explicou Menezes.

A Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, parceira do projeto, integra uma coalizão internacional formada por outras seis instituições que há dez anos desenvolve projetos com o objetivo de melhorar as condições de desenvolvimento da infância e de construir pontes entre o conhecimento científico e a sociedade. Integram essa coalizão a Fundação Bernard van Leer; o Center on the Developing Child, da Universidade Harvard; o David Rockfeller Center for Latin American Studies; o Insper; o Porticus América Latina e a Faculdade de Medicina da USP.

“A ciência resulta de práticas e de pesquisas consistentes e, com o apoio da FAPESP, poderemos aplicar esse saber para subsidiar políticas públicas”, afirmou Mariana Luz, CEO da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, durante o evento de lançamento do Centro. Ela lembrou que a pesquisa contribuiu, por exemplo, para conectar o desenvolvimento cognitivo e o aprendizado nos anos 1940, e, nos anos 1970, também para articular esses fatores com teorias da psicologia, e que esse conhecimento embasou artigos da Constituição de 1988 que priorizaram a infância e, dois anos depois, também o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que definiu a diferença entre crianças e adolescentes.

O Insper integra a coalizão desde sua criação, há dez anos. “Fui convencido por Jack Shonkoff (diretor do Center on the Developing Child da Universidade Harvard, também presente no evento)”, disse Claudio Haddad, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto. Na fase inicial, seminários, workshop e outras atividades envolvendo estudiosos, funcionários públicos e lideranças produziram ótimos resultados. “Agora, precisamos continuar neste esforço de envolver a gestão e políticas públicas que precisam seguir a ciência e desenvolver soluções baseadas em evidências. ”

Para Roberta Ricardes, responsável pela área técnica da Saúde da Criança na Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, a constituição do CPAPI será “um marco”. O desenvolvimento infantil é uma preocupação desde o início dos anos 2000, quando o tema foi incorporado ao Plano Estadual da Saúde, ela afirmou. “Foi um desafio enorme implantar o programa em 101 municípios do Estado. ” O programa, atualmente, conta também com a participação de profissionais da área da Educação e utiliza a Caderneta de Saúde da Criança para reunir informações de várias áreas envolvidas.

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