Notícia

Diário do Povo

Fapesp fará parceria para estudar câncer

Publicado em 05 novembro 2000

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) deverá anunciar nos próximos dias uma parceria com o National Câncer Institute (NCI), o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos. A informação foi divulgada pelo diretor-científico da Fapesp, José Fernando Perez, durante a apresentação do Centro de Genoma Humano da Universidade de São Paulo (USP) feita para a ministra federal de Pesquisa e Educação da Alemanha, Edelgard Bulmahn. Ela veio ao Brasil para assinar um memorando que abre caminho para a realização de diversos convênios para educação e pesquisa entre a Alemanha e o Brasil. Perez não quis divulgar os detalhes do acordo com o NCI. "Eles serão divulgados em algumas semanas", disse. A Fapesp tem algumas áreas prioritárias para o estabelecimento de acordos internacionais de cooperação e esse era um dos temas da conversa entre seus integrantes e a ministra alemã. "Pelo acordo Brasil e, Alemanha, foi dado destaque para projetos envolvendo o genoma de microorganismos e plantas, mas nós queremos que a ministra estude a possibilidade de ampliar isso para a área da genética humana", explicou ele. O interesse vem do fato de que o Brasil é um dos líderes na pesquisa genômica, tendo seqüenciado a bactéria Xylella fastidiosa, que causa o amarelinho, doença nas plantações de laranjas. Também é o segundo país do mundo em seqüenciamento de genes de tumores humanos, no projeto Genoma do Câncer Humano. "Já temos hoje a parceria com o professor alemão Jörg Hoheizel, que trabalhou conosco no seqüenciamento da Xylella e agora integra o projeto Genoma Funcional. Queremos ampliar essa parceria", disse Perez. Este projeto está estudando os dados seqüenciados da bactéria para descobrir as funções dos genes. Pelo memorando de intenção assinado em primeiro de novembro pelo ministro Ronaldo Sardenberg e pela ministra alemã, as áreas prioritárias para o estabelecimento de acordos são a de biotecnologia, pesquisa com genoma, sistemas e tecnologias da informação e nanotecnologia. A área espacial e de meio ambiente também estão em pauta. Tanto que a ministra assinou um acordo com a USP, para a realização de intercâmbio entre professores e instituições alemães e brasileiros. "Enviaremos um professor alemão para o Brasil para ficar um ano estudando meio ambiente, em seu sentido amplo", disse Friedhelm Schwamborn, diretor do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico.