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Jornal Brasil

FAPESP esclarece dúvidas sobre quarta chamada do PAPPE/PIPE Subvenção

Publicado em 19 outubro 2015

A FAPESP realizou, na última quarta-feira (14/10), uma reunião de apresentação do programa PAPPE/PIPE Subvenção, mantido pela Fundação e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

 

O objetivo do encontro foi tirar dúvidas de interessados em participar da quarta chamada de propostas do programa, que apoia pesquisa científica ou tecnológica em empresas paulistas para o desenvolvimento de produtos, processos e serviços inovadores.

 

As propostas podem ser desenvolvidas em até 24 meses, com financiamento de até R$ 1 milhão. O financiamento se destina à aplicação dos resultados obtidos pela empresa a partir de pesquisas desenvolvidas nas Fases 1 e 2 do programa PIPE-FAPESP nas quais, respectivamente, deve ser demonstrada a viabilidade e realizado o desenvolvimento tecnológico do produto, processo ou serviço.

 

Podem ser apoiadas microempresas, empresas de pequeno porte, pequenas empresas ou médias empresas do Estado de São Paulo que desejem realizar o desenvolvimento industrial e comercial.

 

O apoio pelo PAPPE/PIPE corresponde à Fase 3 do PIPE, que visa o desenvolvimento industrial e a introdução do produto, processo ou serviço no mercado.

 

“O foco principal da FAPESP é o financiamento à pesquisa, mas é sabido que no ciclo de desenvolvimento de um produto, processo ou serviço há uma fase muito importante que a Fundação não pode arcar sozinha, que é o desenvolvimento industrial e a inserção no mercado. Por isso, a Fase 3 do PIPE só pode ser financiada quando há uma parceria com outros órgãos de fomento, como a Finep, explicou Douglas Eduardo Zampieri, membro da coordenação adjunta de pesquisa para inovação da FAPESP.

 

De acordo com Zampieri, para as empresas que não participaram das Fases 1 e 2 do PIPE, a chamada se destina ao desenvolvimento de complementos técnicos que permitirão que as soluções inovadoras alcancem a inserção no mercado.

 

“Isso não é necessário nas Fases 1 e 2 do PIPE. As empresas que não participaram dessas fases já desenvolveram o produto, processo ou serviço com recursos próprios ou da Finep, por exemplo, e agora precisam de um aporte para que o desenvolvimento ingresse no mercado”, detalhou.

 

Também é possível que as empresas solicitem a Fase 3 concomitantemente com a Fase 2 em andamento.

 

Para isso, as empresas proponentes precisam demonstrar que já atingiram na Fase 2 maturidade suficiente para ir para a fase seguinte, apontou Zampieri.

 

“Na Fase 3 a empresa tem que conhecer seu produto e o mercado em que irá atuar, o diferencial dele em relação aos seus concorrentes e já ter definido qual será seu plano de negócios”, afirmou. “Espera-se que a Fase 3 auxilie a empresa a incorporar de modo mais efetivo os elementos do mercado, tornando o projeto mais robusto e melhorando suas chances de sucesso”, avaliou.

 

Podem participar da quarta chamada de propostas do programa PAPPE/PIPE Subvenção micro, pequenas e médias empresas com até 250 funcionários e constituídas até 12 meses antes do lançamento da chamada.

 

Além disso, a empresa precisa ter sede e realizar pesquisa no Estado de São Paulo, garantir ter condições adequadas para o desenvolvimento industrial e comercial do produto, processo ou serviço e demonstrar que dará contrapartida economicamente mensurável em itens de despesas relacionados com a execução de atividades descritas no projeto, ressaltou Zampieri.

 

“A empresa pode demonstrar que irá alocar e pagará o salário de um engenheiro ou técnico de seu quadro de funcionários ou que usará uma determinada quantidade de máquinas e insumos próprios para realizar essa Fase 3 do projeto”, exemplificou.

 

Na Fase 3, a empresa também deverá desenvolver internamente pelo menos 50% das atividades de pesquisa, indicou Zampieri.

 

“Os programas PAPPE (de Apoio à Pesquisa em Empresa) e PIPE (Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas), respectivamente, da Finep e da FAPESP, partem do princípio de que é preciso ter uma cultura permanente de inovação e internalizar o conhecimento na empresa. Nenhuma empresa tem sucesso se não internalizar o conhecimento. Por isso que há a restrição de que, no máximo, 50% dos serviços sejam realizados por terceiros”, explicou.

 

Para participar da chamada, o proponente também não precisa ter titulação acadêmica, como mestrado ou doutorado, mas sim demonstrar que possui experiência profissional e competência técnica na área e ter dedicação prioritária ao projeto na empresa.

 

“O proponente pode ter – e é desejável que tenha – relação com outra empresa ou uma instituição de ensino ou pesquisa. Mas a pesquisa deve ser realizada na própria empresa”, disse Zampieri.

 

Entre os itens financiáveis na chamada estão recursos associados ao desenvolvimento do produto, à apresentação em feiras técnicas de importância reconhecida, à certificação e adequação às normas técnicas nacionais e internacionais, ao design e marketing e para o pagamento de salário de pesquisadores e pessoal técnico envolvido no projeto, entre outros itens, especificou Zampieri.

 

“É muito importante que existam coerência e correlação entre o que a empresa irá propor fazer e o orçamento que solicitará”, ressaltou.

 

Outras oportunidades

 

Durante o evento, Zampieri e Fabio Kon, professor do Departamento de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (IME-USP) e membro da coordenação adjunta de pesquisa para inovação da FAPESP, destacaram outras oportunidades de financiamento à inovação existentes em São Paulo, como as oferecidas pela Desenvolve SP.

 

A Agência de Desenvolvimento Paulista trabalha com o programa Inovacred, da Finep, que financia projetos inovadores para pequenas e médias empresas e outras instituições, com faturamento de até R$ 90 milhões, voltados à introdução de novos produtos, processos, serviços, marketing, inovação organizacional ou aperfeiçoamento de tecnologia existente.

 

“Os projetos já aprovados pela FAPESP não passam pela análise técnica, mas só financeira do Inovacred”, disse Zampieri.

 

O Inovacred também permite que 3% do valor da proposta seja destinado à consultoria para elaboração do projeto.

 

“Uma pequena empresa, que tem pouco capital e conhecimento, pode contratar, no âmbito do Inovacred, o Centro Paula Souza, por exemplo, para elaborar o projeto. E, se o projeto for aprovado, 3% serão destinados à consultoria”, exemplificou.

 

A Desenvolve SP também opera o Fundo Inovação Paulista, que tem entre seus investidores a FAPESP, o Sebrae-SP, a Finep e o Banco de Desenvolvimento da América Latina.

 

Com patrimônio de R$ 105 milhões, o fundo tem o objetivo de investir em pequenas e médias empresas, além de startups, localizadas no Estado de São Paulo e atuantes nos setores de tecnologia da informação e comunicação (TICs), tecnologias agropecuárias, novos materiais, nanotecnologias e tecnologias em saúde.

 

O Fundo já fez investimentos em oito empresas inovadoras, que atuam nas áreas de TI, tecnologia agrícola e de imagem.

 

Até dezembro de 2017 o fundo pretende investir 20% de seu patrimônio em empresas com receita operacional bruta anual de até R$ 18 milhões e 80% em firmas com receita bruta anual de até R$ 3,6 milhões.

 

“A ideia é que o Fundo Inovação Paulista compre participação em empresas e ajude inclusive com consultoria, na medida do possível, para o desenvolvimento comercial”, explicou Kon.

 

“O Fundo quer investir e está à procura de oportunidades de aporte de recursos em boas empresas”, afirmou Kon.

 

As propostas para o Fundo Inovação Paulista podem ser submetidas pelo site spventures.com.br/proposta/.

 

A quarta chamada do PAPPE/PIPE-Subvenção está disponível em www.fapesp.br/9667.

Fonte Agência FAPESP 19/10/2015