Notícia

Jornal da USP

Fapesp, entre as melhores do mundo

Publicado em 19 agosto 1996

É o que afirma o professor Francisco Landi, recém-empossado no cargo de diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da entidade. Para ele, eficiência no trabalho e no relacionamento é o segredo do sucesso. O professor Francisco Romeu Landi, que na semana passada assumiu o cargo de diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), disse que a instituição é uma das melhores agências de financiamento do mundo. Recentemente, acrescentou, um diretor da National Science Foundation garantiu que "o estado da arte de pesquisa estava na Fapesp, pela sua eficiência, rapidez de julgamento, acompanhamento de processos e prestação de contas dos pesquisadores". Segundo o professor da Politécnica, quem vai à Fapesp pode testemunhar eficiência baseada não apenas na informatização de seu sistema, como também nas pessoas que lá trabalham. "Os funcionários têm orgulho do que fazem, tanto que os pesquisadores repetem que o atendimento, quer por telefone, quer no balcão, é de primeira qualidade, como se fosse numa empresa privada." Quais as razões desse sucesso? O diretor cita algumas, começando pela própria lei que criou a agência, originando ao mesmo tempo seu sistema operacional. "Detalhe importantíssimo: por lei a Fapesp não pode gastar mais do que 5% do orçamento em despesas administrativas. É proibido por lei virar cabide de emprego. Mas ela gasta ainda menos com a administração: apenas 2,5%." O segundo fator de eficiência, na opinião de Landi, é a estabilidade financeira. A agência tem 1% da arrecadação de ICMS do Estado, garantido na Constituição. "O governo não pode cortar verba. Estaria sujeito a impeachment. Esse dinheiro é tão sagrado quanto o que deve ser destinado ao Executivo e ao Legislativo." A Fapesp recebe R$ 150 milhões por ano e ainda dispõe de rendimentos próprios, capital acumulado ao longo do tempo. "Nos últimos dois anos tem aplicado outro tanto com recursos próprios." De todos os projetos apresentados, 60% têm boa qualidade e são aprovados e financiados. Segundo Landi, tradicionalmente o sistema de atendimento era o do balcão. O pesquisador apresentava o projeto e, concluída a análise de mérito, se aprovado, tinha recursos. "Mas há uns seis ou sete anos, começamos a trabalhar com a indução de projetos, criando-se o projeto temático. O tema deveria ser abordado multidisciplinarmente, obrigando as unidades ou os setores a interagir. Quem tivesse projeto temático levava certa vantagem sobre os outros." Um exemplo de projeto temático é o da área de engenharia, sobre concreto projetado. Uma nova tecnologia para desenvolver recobrimento de túneis e abertura de túneis mais rápidos, explica Landi. Mas existem outros, como o projeto do ensino básico, do jovem cientista em centros emergentes (jovens doutores se dirigem a outros centros de pesquisa que não os situados em grandes cidades) para aumentar o número de laboratórios no Estado. Há também o projeto universidade-empresa e o do banco de informação no Interior para uso do rio Tietê, que abrange a navegabilidade, aspectos biológicos e poluição.