Notícia

Jornal O Imparcial (Araraquara, SP)

FAPESP, Embraer e Boeing testarão bicombustíveis

Publicado em 18 outubro 2012

Coordenado por André Nassar, membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), os resultados do estudo sobre certificações de bicombustíveis foram apresentados em um workshop sobre sustentabilidade que integra uma série de oito encontros que estão sendo realizados pela FAPESP, Boeing e Embraer, no âmbito de um acordo firmado em outubro de 2011 com o objetivo de estabelecer um centro de pesquisa e desenvolvimento de bicombustíveis para aviação comercial no Brasil envolvendo as três instituições.

Iniciada no fim de abril, a série de oito workshops tem o objetivo de coletar dados com pesquisadores, integrantes da cadeia de produção de bicombustíveis, além de representantes do setor de aviação e do governo, para identificar os principais desafios científicos, tecnológicos, sociais e econômicos para o desenvolvimento e adoção de bicombustíveis pelo setor de aviação comercial e executiva no Brasil.

Em seguida, FAPESP, Boeing e Embraer realizarão um projeto de pesquisa conjunto sobre os temas prioritários apontados nos workshops e lançarão uma chamada de propostas para o estabelecimento de um centro de pesquisa e desenvolvimento de bicombustíveis para aviação comercial.

O último workshop, em que serão apresentadas as conclusões do estudo, está previsto para ser realizado ainda este ano na FAPESP.

Critérios da União Europeia

Os critérios adicionais estão relacionados à “Diretiva de Energia Renovável”, anunciada pela União Europeia em 2010, que estabeleceu um conjunto de regras sobre como deve ser implementada a certificação de sustentabilidade da produção de biocombustíveis em geral.

Algumas das exigências dos países europeus são que os biocombustíveis não podem ser provenientes de áreas de floresta, pântanos e áreas de reserva ambiental e que possibilitem diminuir significativamente as emissões de gases de efeito estufa em comparação com os combustíveis fósseis.

Para possibilitar que os produtores brasileiros possam atender também a essas exigências externas, o Bonsucro- única certificação para biocombustíveis derivados de cana-de–açúcar implementada no Brasil- incluiu algumas das exigências da União Europeia.

Mas, por pressão dos produtores, a certificação optou por não tratar ou abordar de forma genérica questões que ainda estão sendo discutidas e para as quais ainda não há uma metodologia bem definida para apurar o cumprimento. Entre elas estão a limitação de expansão da produção em áreas de alto valor de conservação, mudanças indiretas no uso da terra e segurança alimentar.