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Fapesp e Telefônica firmam acordo para interligar centros de pesquisa

Publicado em 26 abril 2007

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o grupo Telefônica firmaram convênio nesta quinta-feira (26/4/) para incentivar o desenvolvimento de projetos tecnológicos em tecnologia da informação e telecomunicações entre pesquisadores de universidades e centros de pesquisa paulistas. Pelos termos do acordo, que tem prazo de vigência de três anos, a operadora irá ceder uma rede de fibra óptica com 3,3 mil quilômetros de extensão para interligar grupos de pesquisa da rede Kyatera, que faz parte do Programa Tecnologia da Informação no Desenvolvimento da Internet Avançada (Tidia) da Fapesp.
Os pesquisadores do projeto Kyatera (kya significa rede, em tupi-guarani; e tera é uma corruptela de terabits) estarão interligados por meio de uma plataforma experimental de alta velocidade, ou testedbed, como também é chamada, para a realização de pesquisa sobre tecnologias, produtos e serviços para a internet do futuro. A rede de fibra óptica, que chegará até o interior dos laboratórios de todas as instituições (fiber-to-the-lab), tem valor de mercado estimado em R$ 30 milhões, segundo a Telefônica. Além da cessão da rede, a operadora aplicará R$ 390 mil, em três anos, para financiar bolsas de estudo em nível de mestrado e doutorado para pesquisadores participantes do convênio.
A Fapesp, por seu lado, investirá R$ 12 milhões para apoiar os projetos. De acordo com o diretor científico da Fapesp, Carlos Brito Cruz, a rede de fibra óptica cria condições para a realização de pesquisas de maneira mais avançada nas áreas de software, conteúdo e produtos. Ele explica que os projetos serão selecionados pela Fapesp e a Telefônica, e poderão ser de dois tipos: pesquisa básica — de caráter experimental — e aplicada, voltada para o desenvolvimento de novo produtos e serviços. "No caso da pesquisa básica, podem participar pesquisadores de instituições de ensino superior e de pesquisa que proponham projetos ousados e exploratórios, e nos projetos de pesquisa aplicada eles poderão se associar a outras empresas, além da Telefônica, para o desenvolvimento de produtos e serviços."
O superintendente de inovação tecnológica da Telefônica, Lincoln Egydio Lopes, explica que a operadora irá avaliar os projetos e, dependendo do tipo de produto e de sua viabilidade comercial, fará um acordo com o pesquisador ou a instituição de ensino para ter a reserva da licença por determinado período. "Vamos fazer uma análise caso a caso para verificar como a Telefônica pode compartilhar a propriedade intelectual dos produtos e serviços desenvolvidos através do convênio, ou, então, vamos solicitar uma reserva de licença."

Rede ampliada
A rede de fibra óptica da Telefônica, conforme explica o coordenador geral do projeto Kyatera, professor Hugo Fragnito, será de uso exclusivo das universidades e centros de pesquisa participantes do convênio, e irá interligar, também, a rede da Kyatera, que tem 1.050 quilômetros de extensão. Segundo ele, a rede já desenvolve projetos nas áreas de transmissão óptica, tecnologias de rede e aplicações de internet avançada, além de testar equipamentos e componentes ópticos.
Denominados web labs, os projetos da rede Kyatera abrangem as áreas de química, física, biologia, engenharia, medicina e psicologia. "Temos o web lab que faz pesquisas com abelhas, por meio do qual pesquisadores da Universidade de San Diego, na Califórnia, desenvolvem estudos sobre nossas abelhas através da internet", ressalta Fragnito. O coordenador diz que o projeto Kyatera mantém convênios com várias outras universidades no mundo, que também poderão participar do convênio entre a Fapesp e a Telefônica. Erivelto Tadeu