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FAPESP e Reino Unido intensificam cooperação científica

Publicado em 27 setembro 2012

Por Fábio de Castro, da Agência FAPESP

A FAPESP renovou nesta quarta-feira (26/09) o acordo de cooperação com os Conselhos de Pesquisa do Reino Unido (RCUK, na sigla em inglês), mantido desde 2009. A Fundação também firmou um acordo com a Universidade de East Anglia, de Norwich (Inglaterra), e estendeu o acordo existente com o Economic and Social Research Council (ESRC), que passará a incluir colaboração com pesquisadores em nível de pós-doutorado.

A assinatura dos acordos foi realizada durante o seminário "Parcerias científicas Brasil-Reino Unido: Oportunidades de financiamento para pesquisas e inovação", cuja programação incluiu um debate entre os reitores de oito universidades britânicas, com o objetivo de discutir o atual momento de cooperação entre os dois países.

Durante o encontro, além do anúncio dos acordos entre as instituições brasileiras e britânicas e do debate entre os reitores, foi anunciado o resultado da chamada de propostas de pesquisa conjunta com a Universidade de York.

Participaram da abertura do seminário Eduardo Moacyr Krieger, vice-presidente da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fundação, David Willetts, ministro britânico para a Ciência e Educação Superior, Alan Charlton, embaixador do Reino Unido no Brasil, e Paul Boyle, líder internacional dos RCUK.

De acordo com Boyle, a renovação do acordo envolve todos os sete conselhos de pesquisa britânicos e busca aumentar a aproximação existente entre cientistas dos dois países ao apoiar a realização de projetos em todas as áreas de conhecimento.

"Os resultados foram muito bons e decidimos prolongar o acordo pelo menos até 2015. Até agora tivemos muito interesse de pesquisadores, particularmente em áreas como biologia e meio ambiente. Desta vez acreditamos que o número de colaborações aumentará em uma área com muita demanda, que é a de ciências médicas. Tivemos também apoios a projetos em áreas como bioquímica, geociências, fisiologia, genética e morfologia", disse Boyle à Agência FAPESP.

O acordo com os RCUK já lançou chamadas da FAPESP em conjunto com os conselhos de Artes e Humanidades (AHRC), de Biologia e Biotecnologia (BBSRC), de Pesquisas Econômicas e Sociais (ESRC) e com o Natural Environment Research Council (NERC).

"O modelo do acordo foi muito inovador, por possibilitar que cientistas de instituições do Estado de São Paulo e do Reino Unido submetam propostas de pesquisas conjuntas por meio de um processo unificado de análise e decisão. Os RCUK recebem e avaliam as propostas de pesquisa colaborativa das instituições elegíveis. Os pareceristas nomeados pela FAPESP participam de todo o processo de revisão por pares e da tomada de decisão", explicou Boyle.

Todas as pesquisas contempladas na primeira chamada do acordo FAPESP/RCUK continuam em vigor. Encontram-se atualmente em análise projetos apresentados em uma segunda chamada com o NERC nas áreas de Processos da Biodiversidade e de Ecossistemas em Florestas Tropicais Modificadas pelo Homem.

O acordo com os RCUK complementa os diversos acordos pontuais da FAPESP com universidades britânicas. "Muitos dos bons projetos começam em escalas menores de financiamento, no âmbito específico dos acordos entre as universidades britânicas e a FAPESP. Acho que esses acordos oferecem uma modalidade muito boa em especial para projetos iniciais, que precisam de capital semente. Uma vez que os projetos amadurecem e se ampliam, podem ser submetidos a financiamentos maiores no âmbito dos acordos da FAPESP com os RCUK, o que permite trabalhos de mais fôlego", disse Boyle.

Novos acordos

De acordo com Brito Cruz, os acordos firmados ou estendidos durante o seminário ampliam a cooperação científica da Fundação com instituições britânicas. "Temos até agora 42 projetos em curso que são financiados pela FAPESP em parceria com alguma organização britânica - universidades, conselhos de pesquisa ou empresas", disse.

A FAPESP mantém acordos com outras oito instituições de ensino e pesquisa do Reino Unido: as universidades de London, Edinburgh, Bangor, Nottingham, Southampton, Surrey, York e King"s College. Além disso, a Fundação assinou recentemente um acordo com a BP Biofuels e, durante o encontro nesta quarta-feira (26/09), assinou também com a companhia de óleo e gás BG Brasil uma carta de intenções para cooperação visando ao desenvolvimento de pesquisa na área de energia.

O acordo com o ESRC, também assinado durante o seminário, prevê pesquisas que reúnam dois doutorandos e seus orientadores em projetos internacionais, especificamente nas áreas de Economia e Ciências Sociais, com o compartilhamento de informações sobre mecanismos de financiamento e intercâmbio entre pesquisadores, organização de reuniões científicas, workshops e simpósios.

"O acordo com a Universidade de East Anglia, por outro lado, tem o objetivo de fomentar pesquisas em todas as áreas do conhecimento", disse Brito Cruz.

O acordo prevê a possibilidade de participação de outras instituições que já mantenham parceria com a universidade e estejam localizadas no Norwich Research Park (NRP), onde está concentrada a maior parte das atividades de pesquisas da East Anglia.

Durante o seminário, Joanna Newman, diretora da Unidade Internacional de Educação Superior do Reino Unido, ligada às Universities UK (UUK) - organização que representa o conjunto das universidades britânicas -, afirmou que as relações entre as instituições de pesquisa do Reino Unido e do Brasil têm aumentado vigorosamente nos últimos anos. E esse crescimento ocorre não apenas nas chamadas "ciências duras", mas também em ciências humanas e sociais.

"Essas relações são extremamente importantes para as universidades britânicas, porque temos muita tradição em receber estudantes estrangeiros, mas temos pouquíssimos programas que envolvem o envio de estudantes britânicos para fora. Os acordos com a FAPESP estão contribuindo muito para isso. Os acordos dão grandes perspectivas para os alunos britânicos colaborarem em parcerias de pesquisa em longo prazo", afirmou.

Parcerias Brasil-Reino Unido

O reitor da Universidade de Bristol, Eric Thomas, avaliou positivamente a colaboração científica entre instituições brasileiras e britânicas. Segundo Thomas, a prioridade a partir de agora é planejar a sustentabilidade em médio e longo prazo das iniciativas bem-sucedidas.

"Ficamos muito empolgados com o dinamismo atual das parcerias, mas é preciso agora garantir que essas linhas de cooperação sigam ao longo do tempo, de preferência por muitas décadas. Acredito que a maneira mais eficaz para tornar as parcerias mais sustentáveis consiste em envolver a indústria nas parcerias, abarcando projetos que realmente importem para outros setores econômicos", disse Thomas.

Segundo Don Nutbeam, reitor da Universidade de Southampton, algumas áreas como as ciências do oceano concentram um interesse especialmente grande para o desenvolvimento de parcerias entre Brasil e Reino Unido.

"A Universidade de Southampton é o principal centro britânico de oceanografia e é referência em biologia marinha. Temos todo interesse em estruturar pesquisas em conjunto com universidades brasileiras, porque, além de ter vastas áreas oceânicas, o Brasil agora lida com desafios crescentes relacionados à exploração de petróleo e gás em alto-mar, com seus potenciais impactos nos ecossistemas marinhos", disse.

Louise Richardson, reitora da Universidade de Saint Andrews (Escócia), afirmou que as relações internacionais são cruciais para sua instituição, onde 45% dos alunos são provenientes de fora do Reino Unido e 35% vêm de fora da comunidade europeia.

"Há muitas décadas temos cooperações com o Brasil, mas queremos torná-la mais sistemática. Atualmente, a cooperação tende a se limitar a intercâmbios individuais, especialmente em Química e Tecnologia. A FAPESP oferece a infraestrutura para que essas parcerias se desenvolvam de forma mais perene e sistemática", destacou.

Brian Cantor, reitor da Universidade de York, afirmou que a instituição, por ser jovem para os padrões britânicos - foi fundada em 1963 -, está especialmente empenhada em desenvolver oportunidades de cooperação internacional.

"A parceria que estabelecemos com a FAPESP abrirá uma oportunidade importante para que nossos alunos venham ao Brasil e abram novas possibilidades acadêmicas, científicas e econômicas. Duas das nossas maiores linhas de atuação atualmente são especialmente interessantes para o desenvolvimento de projetos conjuntos com o Brasil: biocombustíveis e biotecnologia de produtos agrícolas com usos não alimentares", disse.

O debate teve também a participação dos reitores Colin Riordan, da Universidade de Cardiff, Colin Bailey, da Universidade de Manchester, Martin Bean, da Universidade de Open, e Peter Mills, da Universidade Harper Adams.

Fonte: Agência FAPESP