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Diário de Suzano

Fapesp e Museu reúnem documentos

Publicado em 27 agosto 2007

Brasil faz parte do grupo de países latino-americanos que integram o programa de cooperação internacional com o Museu de Belas Artes de Houston (MFAH), nos Estados Unidos, com o objetivo de recuperar e digitalizar documentos sobre arte. O convênio, celebrado entre o museu e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), denomina-se Arte no Brasil — Textos Críticos do Século 20.

Os trabalhos ficarão a cargo da Universidade de São Paulo (USP), sob a coordenação da professora Ana Maria de Moraes Belluzzo, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. O Museu de Belas Artes de Houston e a Fapesp destinarão R$ 1,3 milhão para os dois primeiros anos do projeto. A equipe da USP selecionará e digitalizará documentos primários e raros — manuscritos, cartas e manifestos produzidos por artistas e críticos brasileiros entre as primeiras décadas do século 20 e os anos 80.

O material ampliará compilações de textos da mesma natureza, reunidos desde 2003 por equipes de especialistas na Argentina, Chile, México, Colômbia, Peru, Venezuela e também nos Estados Unidos, no âmbito do projeto Documentos do Século 20 — Arte Latino-americana e Latino-norte-americana. A coordenação é do Centro Internacional para as Artes das Américas (ICAA), vinculado ao museu de Houston. 

O programa Documentos do Século 20 trabalha com textos suficientes para abastecer os pesquisadores com matéria-prima à compreensão de movimentos artísticos. Até o fim do ano, deverá ter reunido 6 mil documentos nos países participantes.

A equipe da USP pré-selecionou 200 documentos para trabalhar. São textos como uma carta de Ferreira Gullar a Mário Pedrosa, datada de fevereiro de 1959, que trata do Manifesto Neoconcreto, que seria lançado com outros artistas de vanguarda naquele ano. Ou um livro artesanal de colagens, produzido em 1963 pela pintora e escultora Lygia Clark (1920-1988), no qual conceitua algumas de suas técnicas.

Há ainda o livro Escultura Popular Brasileira, de 1944, em que o arquiteto Luiz Saia analisa conjunto de obras coletadas em 1938 no Nordeste por uma missão de pesquisa folclórica. Trata-se de trabalho iniciado pelo Departamento de Cultura de São Paulo, então dirigido por Mário de Andrade, expoente maior do modernismo brasileiro. 

Todo o acervo internacional sobre arte (brasileira e dos demais países) estará disponível em 2008 no portal do museu de Houston, na Internet, na forma de banco de dados público.