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Fapesp é mais resistente aos cortes do que outros órgãos, diz Zago

Publicado em 31 outubro 2018

O ex-reitor da USP, Marco Antonio Zago, participou, no último dia 5, de sua cerimônia de posse como novo presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Nomeado pelo atual governador Márcio França, Zago terá agora três anos de mandato para administrar a instituição.

A Fundação estimula a ciência e tecnologia paulistas, além de fornecer bolsas de pesquisa. A Fapesp funciona desde 1962 e tem foco especial no trabalho desenvolvido nas universidades.

Formado em Medicina pela USP de Ribeirão Preto, Marco Antonio Zago foi diretor clínico do Hospital das Clínicas de Ribeirão, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e é o atual secretário de Saúde do Governo do Estado de São Paulo.

Agora presidente da Fapesp, Zago diz acreditar que vivemos uma crise nacional que prejudica os investimentos em ciência. No entanto, quando se trata da Fundação, ele prefere ressaltar o lado positivo. “A Fapesp enfrenta uma situação particular porque, sabiamente, os legisladores do estado a protegem de cortes específicos de verba”, afirma.

Isso significa que, mesmo em caso de um fluxo menor de recursos, a Fundação não deixa de receber recursos, pois uma parcela fixa dos fundos é necessariamente enviada a ela. “Nós somos muito mais resistentes aos cortes do que os outros órgãos”, comenta.

Ainda segundo o ex-reitor, um dos braços mais importantes da instituição é a aliança com o setor privado. Se os investimentos se mantiverem iguais, os programas de cooperação com empresas, que hoje representam 10% do orçamento da Fapesp, saltarão para 13% em 2025. “Temos que ser cautelosos com isso. O aumento deve ser modesto”, afirma o ex-reitor, ocasionalmente trocando a palavra “Fundação” por “universidade”, acostumado a falar em nome da USP.

Por falar na instituição de ensino, muitos docentes, empregados e estudantes da USP tratam com ceticismo a escolha de Zago para um cargo tão importante. É o caso de Rodrigo Ricupero, professor doutor do Departamento de História da FFLCH e presidente da Associação dos Docentes da USP desde o ano passado.

Segundo ele, o ex-reitor intensificou o desmonte da universidade e deu início a um processo que pôs em risco o sucesso da USP ao contratar a empresa McKinsey & Company para ajudá-los na gestão do campus. O professor afirma, ainda, que essa parceria se deu de forma obscura.

Para Ricupero, uma gestão como foi a de Marco Antonio na USP pode ser catastrófica para a Fapesp, “em especial com o favorecimento de interesse privados em detrimento dos interesses públicos”, argumenta, afirmando que a Fundação não foi criada para fomentar o empreendedorismo. “Neste sentido, a escolha do Zago para a presidência da Fapesp causa apreensão.”