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FAPESP e Fundação Grupo Boticário fecham acordo para apoio a natureza

Publicado em 17 janeiro 2014

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza assinaram um acordo de cooperação que vai permitir apoiar pesquisas desenvolvidas por instituições localizadas no Estado de São Paulo, incluindo aquelas feitas em parceria com instituições localizadas em outros estados do Brasil.

Com a assinatura, também foi lançada uma chamada de propostas de pesquisas sobre mudanças climáticas com dois focos principais. O primeiro abrange cenários climáticos futuros e seus impactos sobre a biota. O segundo detém-se no monitoramento de habitats e espécies do Lagamar, incluindo ambientes continentais e marinhos, considerando suas variáveis climáticas.

A área de atuação das pesquisas contempla o Mosaico de Áreas Protegidas do Lagamar - região que abrange o Complexo Estuarino-Lagunar de Iguape-Cananéia-Paranaguá, entre o litoral sul do Estado de São Paulo e o litoral norte do Paraná -, instituído pelo Ministério do Meio Ambiente em maio de 2006, por meio de portaria federal que prevê a gestão integrada de diversas áreas protegidas.

No Estado de São Paulo, são 19 as unidades de conservação consideradas como área de abrangência para as propostas submetidas a esta chamada de pesquisas. No Paraná, são 26 unidades de conservação, entre elas a Reserva Natural Salto Morato, uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) criada e mantida pela Fundação Grupo Boticário. Essa Reserva é reconhecida pela estrutura de apoio que oferece a pesquisadores interessados em estudar a rica biodiversidade local: há alojamento, laboratório e também uma estação meteorológica.

O aporte financeiro total dispendido para apoiar os projetos selecionados será de R$ 5 milhões, desembolsados em partes iguais pela FAPESP e a Fundação Grupo Boticário, ao longo do período de duração das pesquisas, que pode chegar a 48 meses.

Para o diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, o apoio a pesquisas conjuntas entre universidades e instituições privadas, ao mesmo tempo em que contribui para o avanço do conhecimento, ajuda a tornar efetiva a aplicação de resultados.

"O acordo com a Fundação Grupo Boticário soma esforços para intensificar pesquisas em biodiversidade e clima, buscando projetos de alto impacto científico. Representa uma adição valiosa para as ações da FAPESP que buscam aliar o financiamento estatal ao financiamento privado para apoiar a pesquisa de alta qualidade", diz.

Clima e biodiversidade

As mudanças climáticas têm sido observadas de forma cada vez mais acelerada nos últimos anos e as consequências já estão sendo sentidas. No caso da Mata Atlântica, é preciso desenvolver uma quantidade maior de estudos sobre os impactos dessas alterações na fauna e na flora da Mata Atlântica.

"Por meio dessa chamada conjunta entre FAPESP e Fundação Grupo Boticário, contribuiremos para diminuir essa lacuna. Nosso objetivo é que os projetos apoiados gerem conhecimentos que possam subsidiar ações e estratégias de adaptação às mudanças climáticas na região do Lagamar", explica Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário.

Ela destaca que a instituição já apoia nove projetos com essa temática no Lagamar, mas que a parceria com a FAPESP é fundamental para possibilitar o financiamento de novas pesquisas.

Especificamente, no que diz respeito ao monitoramento de habitats e espécies, as linhas temáticas apoiadas devem propor estudos sobre a distribuição de espécies e ecossistemas vulneráveis em cenários climáticos projetados (como os do IPCC - Painel Intergovenamental de Mudanças Climáticas - e PBMC - Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas), e estudos de dinâmicas sazonais, fenológicas e comportamentais de espécies terrestres e marinhas, incluindo sua sensibilidade às variáveis climáticas, com perspectiva de longo prazo.

Também farão parte desse escopo as medições continuadas e de longo prazo de variáveis bióticas e abióticas ligadas à dinâmica do clima, como o estabelecimento de áreas permanentes de conservação, protocolos de medição de longa duração, ciclo de vida de espécies, variação do nível do mar, sedimentação, erosão e ocorrência de eventos climáticos extremos. Por fim, serão consideradas propostas para o estudo de espécies como possíveis indicadoras das mudanças climáticas, em razão de suas características de sensibilidade, nicho ecológico, vulnerabilidade e ciclo de vida.

As propostas de pesquisa sobre cenários climáticos deverão avaliar o impacto das variações climáticas e dos eventos climáticos extremos sobre a distribuição e a capacidade de adaptação de espécies e ecossistemas. Também deverão realizar modelagens de distribuição de ecossistemas, espécies e populações para a construção de cenários futuros baseados no IPCC e PBMC, além da sistematização de séries históricas de variáveis meteorológicas e da determinação de áreas mais suscetíveis a eventos extremos.

Esses estudos poderão contemplar, ainda, o impacto de variáveis climáticas e eventos climáticos extremos sobre áreas protegidas, e destas sobre a vulnerabilidade dos sistemas sociais e naturais da região do Lagamar, com avaliações das dinâmicas e influências de marés sobre o território. Serão consideradas, também, propostas de estudos sobre cenários de elevação do nível do mar decorrentes das mudanças climáticas e seus impactos nos processos costeiros.

O objetivo dessa chamada de propostas é o aprimoramento de metodologias e tecnologias para enfrentar os desafios em métodos e técnicas de instrumentação científica, com elevado potencial de utilização. A comunicação de resultados para os tomadores de decisão e gestores de unidades de conservação, além da comunidade acadêmica mundial, também é considerada essencial.

As propostas devem ser apresentadas por pesquisadores de Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa no Estado de São Paulo, públicas ou privadas, desde que sem fins lucrativos. Instituições de outros estados podem participar dos projetos por meio de parceria com entidades paulistas. As propostas devem ter duração máxima quatro anos e seguir as normas do Programa PITE-FAPESP. Os projetos serão selecionados por meio de chamada única, que termina em 11 de abril de 2014, e as inscrições podem ser feitas por meio do site FAPESP. A seleção das propostas será realizada por análises de mérito e comparativas.

Mais informações: (página com a íntegra do acordo estará no ar em 18/12)

Sobre a FAPESP

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, FAPESP, é uma das principais agências brasileiras de fomento à pesquisa. Criada em 1962, tem como missão apoiar o avanço do conhecimento, a infraestrutura de pesquisa e a pesquisa com vista a aplicações, por meio de concessão de bolsas de estudo, no país e no exterior, e de auxílios a projetos de pesquisa em todas as áreas do conhecimento. A FAPESP é mantida pela transferência de 1% das receitas tributárias do Estado de São Paulo.

Em 2012, o dispêndio da Fundação foi de R$ 1,035 bilhão para o apoio a projetos de pesquisa. Aproximadamente um terço de seu desembolso anual é destinado para a formação de pesquisadores por meio de bolsas. Mais de 50% são aplicados na pesquisa acadêmica, e 10% são investidos em pesquisas voltadas para a aplicação, em pequenas empresas ou em parcerias entre universidade e empresas, também para subsidiar a formulação de políticas públicas. Para mais informações, visite o site www.fapesp.br

Sobre a Fundação Grupo Boticário - A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é uma organização sem fins lucrativos cuja missão é promover e realizar ações de conservação da natureza. Criada em 1990 por iniciativa do fundador de O Boticário, Miguel Krigsner, a atuação da Fundação Grupo Boticário é nacional e suas ações incluem proteção de áreas naturais, apoio a de outras instituições e disseminação de conhecimento.

Desde a sua criação, a Fundação Grupo Boticário já apoiou 1.377 iniciativas de 472 instituições em todo o Brasil. A instituição mantém duas reservas naturais, a Reserva Natural Salto Morato, na Mata Atlântica; e a Reserva Natural Serra do Tombador, no Cerrado, os dois biomas mais ameaçados do país. Outra iniciativa é um projeto pioneiro de pagamento por serviços ambientais em regiões de manancial, o Oásis. Mais informações na internet: www.fundacaogrupoboticario.org.br, www.twitter.com/fund_boticario ewww.facebook.com/fundacaogrupoboticario.

Fonte: nqmcom@nqm.com.br