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FAPESP e Finep financiarão pesquisas de empresas sobre o Zika

Publicado em 24 fevereiro 2016

Por Elton Alisson, da Agência FAPESP

A FAPESP e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) lançaram uma chamada de propostas voltada ao desenvolvimento de tecnologias para produtos, serviços e processos para o combate ao vírus Zika e ao mosquito Aedes aegypti.

Os recursos alocados para financiamento dos projetos selecionados no edital são da ordem de R$ 10 milhões, sendo 50% com recursos da Finep e 50% com recursos da FAPESP.

São elegíveis como proponentes pesquisadores vinculados a microempresas, pequenas empresas, médias empresas brasileiras, sediadas no Estado de São Paulo, constituídas até 12 meses antes do lançamento da chamada, que tenham participado ou não das Fases 1 e 2 do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP.

As empresas selecionadas devem realizar pesquisa, que poderá durar até 24 meses, visando ao desenvolvimento comercial e industrial dos produtos, processos ou serviços, para que possam ser inseridos no mercado. O valor total solicitado em cada proposta deverá ser de até R$ 1,5 milhão.

Os recursos do programa deverão ser destinados ao desenvolvimento comercial e industrial dos produtos e não poderão financiar propriamente sua produção ou comercialização.

A FAPESP está especialmente interessada em propostas relacionadas ao diagnóstico sorológico rápido e de baixo custo do vírus Zika e medidas de combate e de controle de seu vetor, o mosquito Aedes aegypti.

Mas outros temas relevantes para o combate ao vírus Zika e ao mosquito Aedes aegypti também serão considerados.

A chamada de propostas foi lançada no âmbito do Programa (PIPE/PAPPE Subvenção), mantido pela FAPESP e pela Finep.

As propostas submetidas no âmbito da chamada serão enquadradas e deverão seguir as normas do Programa PIPE, mas para participar do edital não é necessário que a empresa já tenha obtido apoio dessa linha de fomento à pesquisa em empresas da FAPESP.

As propostas devem ser submetidas eletronicamente, por meio do Sistema de Apoio a Gestão (SAGe), até 04 de abril de 2016.

Para participar da chamada a empresa precisa ter sede e realizar pesquisa no Estado de São Paulo, garantir condições adequadas para o desenvolvimento industrial e comercial do produto, processo ou serviço e demonstrar que dará contrapartida economicamente mensurável em itens de despesas relacionados com a execução das atividades descritas no projeto.

Uma das formas de demonstrar contrapartida, por exemplo, é assegurar que irá alocar e pagará o salário de um engenheiro ou técnico de seu quadro de funcionários ou que usará uma determinada quantidade de máquinas e insumos próprios para realizar essa fase do projeto.

A empresa também deverá desenvolver internamente pelo menos 2/3 das atividades de pesquisa.

O proponente não precisa ter titulação acadêmica, como mestrado ou doutorado, mas demonstrar que possui experiência profissional e competência técnica na área e ter dedicação prioritária ao projeto na empresa.

Entre os itens financiáveis na chamada estão recursos associados ao desenvolvimento do produto, à certificação e adequação às normas técnicas nacionais e internacionais, ao design e marketing e para o pagamento de salário de pesquisadores e pessoal técnico envolvido no projeto, entre outros itens.

Expectativa

“A chamada visa capacitar e qualificar o maior número possível de ações que possam ser incorporadas nas políticas públicas para combater o vírus Zika e seu principal vetor, o mosquito Aedes aegypti", disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.

Ele lembrou que a FAPESP já apoia a Rede Zika, formada por pesquisadores em várias instituições no Estado de São Paulo, responsável por dezenas de projetos de pesquisa sobre o vírus e seu vetor (saiba mais sobre a Rede Zika em agencia.fapesp.br/22671). “Novas solicitações de financiamento para pesquisa estão sendo recebidas de forma contínua”, ressaltou.

Segundo Victor Hugo Odorcyk, diretor do Departamento do Complexo da Saúde (DECS) da Finep, a expectativa é “comprometer todos os recursos destinados a essa chamada do PIPE/PAPPE Subvenção em médio e longo prazo, uma vez que não é possível pensar em desenvolver ciência e tecnologia no curto prazo, para que seja possível responder adequadamente à epidemia do vírus Zika no país”.

“A ideia é que os resultados obtidos possam beneficiar todo o país. Com essa chamada conjunta, o Estado de São Paulo está se antecipando em relação a um problema de saúde pública que hoje é nacional, mas também local”, disse à Agência FAPESP.

Segundo Odorcyk, além da chamada com a FAPESP, a Finep está estudando o lançamento de outra chamada específica para financiar projetos de pesquisa de empresas também voltados ao combate do vírus Zika e do mosquito Aedes aegypti.

“Iremos discutir esta semana com o conselho diretor do FNDCT [Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, uma das fontes de recursos da Finep], os recursos necessários para o lançamento de uma chamada específica complementar”, afirmou.

Mais informações sobre a chamada conjunta entre a FAPESP e a Finep estão disponíveis em http://www.fapesp.br/10050.