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Diário do Comércio (SP)

Fapesp e Braskem juntas para desenvolver polímeros verdes

Publicado em 28 fevereiro 2008

Por Adriana David

A Federação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a petroquímica Braskem assinaram, ontem em São Paulo, um convênio de cooperação para incentivar o avanço na obtenção de polímeros a partir de matérias-primas renováveis, como açúcares, etanol e biomassa. O investimento previsto no acordo é de R$ 50 milhões, dos quais 50% para cada parte. O valor deverá ser usado em cinco anos para o financiamento de propostas originárias da comunidade científica paulista.

Os projetos de pesquisa a serem financiados serão desenvolvidos em parceria com pesquisadores de universidades e institutos de pesquisa, além da própria Braskem. E devem ter como objetivo a substituição dos insumos fósseis por componentes renováveis, com desenvolvimento sustentável.

O presidente da Braskem, José Carlos Grubisich, afirmou que investir no desenvolvimento tecnológico e científico com as matérias-primas renováveis é o caminho para alavancar os negócios brasileiros no setor. "É uma aposta forte, mas que poderá levar a Braskem a ser uma das maiores empresas petroquímicas do mundo", disse o executivo.

Esse não é o primeiro investimento em polímeros "verdes" feito pela companhia. A Braskem deve inaugurar uma unidade industrial para a produção anual de 200 mil toneladas de polietileno à base de etanol de cana-de-açúcar em 2010. O local ainda não foi definido, mas deve ser na Bahia ou no Rio Grande do Sul, onde a empresa tem unidades de polimerização. Segundo o diretor de inovação e competitividade industrial da Braskem, Antonio Queiroz, a escolha depende do mix de produtos que os clientes demandarão.

A empresa também vai investir R$ 100 milhões, em Camaçari (BA), na conversão da atual produção de MTBE (metanol) em ETBE (etanol). As projeções são de que a unidade, juntamente com outra do Rio Grande do Sul, produza anualmente 300 mil toneladas de etanol a partir de 2009.

Dinossauros — Apesar do investimento para desenvolver polímeros renováveis, Grubisich descarta a interrupção do uso de matéria-prima fóssil. "Será um complemento para crescer rapidamente", disse. Atualmente, a Braskem é a 11ª petroquímica do mundo, em valores de mercado.

O diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz, acredita que o fato de a Braskem já ter experiência em pesquisa é um ponto favorável para a parceria dar certo. "Queremos criar novidades de impacto tecnológico, de competitividade e desenvolvimento econômico", afirmou.

 

Recentemente, a Fapesp firmou acordo de cooperação para impulsionar o surgimento de novas tecnologias na produção de etanol com a Dedini, a mais importante fabricante de bens de capital do setor sucroalcooleiro mundial.