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FAPESP discute cooperação com órgãos de pesquisa dos EUA

Publicado em 26 outubro 2012

Por Carlos Eduardo Lins da Silva, da Agência FAPESP

Washington – O diretor científico e o presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz e José Arana Varela, participaram, no dia 23 de outubro, de encontros com representantes de órgãos de fomento à pesquisa dos Estados Unidos no Instituto Brazil do Woodrow Wilson Center, em Washington, durante a terceira etapa da FAPESP Week 2012.

Brito Cruz e Varela participaram de um almoço com 18 convidados do Wilson Center para discutir políticas públicas para ciência. Entre os presentes estiveram dirigentes e pesquisadores da National Science Foundation (NSF), dos National Institutes of Health (NIH), do Ministério da Energia dos Estados Unidos e do Conselho de Ciência e Tecnologia da Casa Branca.

Durante duas horas, os participantes discutiram modelos de cooperação internacional em pesquisa científica, processos de submissão e exame de propostas de projetos pela FAPESP e pelas demais entidades representadas e temas afins.

Brito Cruz enfatizou que, para a FAPESP, é importante que a colaboração internacional seja balanceada, ou seja, que pesquisadores e estudantes do Brasil e de outros países que estejam trabalhando juntos em projetos científicos realizem intercâmbios entre os países envolvidos.

O diretor científico da FAPESP lembrou que, durante muito tempo, foi mais frequente a ida de brasileiros para o exterior do que a vinda de estrangeiros para o Brasil, mas que agora é importante haver equilíbrio para que as comunidades científicas de todas as nações envolvidas possam usufruir maximamente do intercâmbio científico.

Por isso, a FAPESP tem diversos programas para atrair cientistas, tanto jovens quanto mais experientes. Entre eles estão a Escola São Paulo de Ciência Avançada (que está em sua oitava chamada), o São Paulo Excellence Chair (SPEC), que está em fase piloto, o Auxílio à Pesquisa – Pesquisador Visitante (que vem contemplando cerca de 250 pessoas por ano) e o Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes (que tem trazido ao Brasil, em média, seis cientistas por mês).

Quando se comparou a gestão de propostas de pesquisa entre as agências de fomento, verificou-se que o desempenho da FAPESP é bom diante do padrão, por exemplo, da NSF, que recebe cerca de 40 mil propostas por ano e leva, em média, seis meses para dar uma resposta ao pesquisador interessado.

A FAPESP recebeu 20, 6 mil propostas em 2011 e levou, em média, 74 dias para responder ao pesquisador. Além disso, enquanto a NSF tem uma data-limite por ano para apresentação de propostas, a FAPESP não impõe prazos finais para submissão de projetos aos interessados.

Em termos de taxa de sucesso, a média geral da FAPESP é de 45%, mas é bem menor para os programas que são de longo prazo e têm mais ambições (10% para o Programa Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão, 18% para o Programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes e 35% para os Projetos Temáticos, com duração de cinco anos).

Nos Estados Unidos, a média de taxa de sucesso fica em torno de 15%, enquanto no Reino Unido está entre 12% e 28%.

Internacionalização

Na parte da tarde do dia 23 de outubro, Brito Cruz fez uma apresentação sobre a FAPESP no auditório do Wilson Center para uma audiência de cerca de 50 pessoas, que incluiu professores de várias universidades, institutos de pesquisa, entidades científicas e empresas de alta tecnologia da região de Washington e de outros Estados americanos (como Carolina do Norte e Nebraska), além de jornalistas de importantes publicações científicas como as revistas Nature e Science.

Na ocasião, Brito Cruz destacou o processo de internacionalização da FAPESP – uma das prioridades da Fundação nos últimos anos.

O diretor científico explicou que para a Fundação é importante estabelecer acordos com universidades, entidades financiadoras e empresas para tentar enfrentar os três desafios mais importantes nos próximos cinco a dez anos para a instituição, que, para ele, são: aumentar o número de cientistas em atuação em São Paulo (que atualmente corresponde a cerca de um terço do que há na Espanha, por exemplo), ampliar a produção de ciência feita em empresas do Estado e fazer crescer o impacto dos trabalhos científicos paulistas (tanto o impacto acadêmico como o social e econômico).

O diretor do Instituto Brasil do Woodrow Wilson Center, Paulo Sotero, que organizou o encontro e é copromotor da FAPESP Week 2012, disse que a cooperação entre sua entidade e a FAPESP, que completa um ano nesta semana, é uma das formas pelas quais ela cumpre a sua missão de mostrar o Brasil e suas potencialidades a formuladores de políticas públicas nos Estados Unidos.

Durante o encontro, Sotero, Varela e Brito Cruz também discutiram sobre como ampliar a colaboração entre as duas instituições.

Fonte: Agência FAPESP