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FAPESP dialoga com interessados em apoio do PIPE

Publicado em 08 abril 2015

Reunião esclareceu dúvidas sobre a apresentação de propostas para obtenção de apoio a projetos inovativos desenvolvidos em pequenas empresas no Estado de São Paulo

Mais de 180 pequenos empresários interessados em participar do segundo ciclo de análise e seleção de projetos do Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) reuniram-se, em 1º de abril, no encontro Diálogo sobre Apoio à Pesquisa para Inovação na Pequena Empresa, no auditório da Fundação.

 

A agenda do encontro incluiu a divulgação de informações sobre os objetivos e sistemáticas do PIPE, a apresentação do caso da empresa Omnisys e o esclarecimento de dúvidas relacionadas ao segundo ciclo de análise do Programa em 2015. A apresentação de propostas pode ser feita até 4 de maio.

A reunião foi organizada em parceria com o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e a Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), instituições que têm colaborado na divulgação do PIPE e no apoio ao desenvolvimento de pequenas empresas no estado.

Participaram do Diálogo os pesquisadores Sérgio Robles Queiroz, Lúcio Angnes e Fábio Kon, coordenadores adjuntos de Pesquisa para Inovação da FAPESP, e Paulo Arruda, Douglas Zampieri e Américo Craveiro, coordenadores da área de Pesquisa e Inovação. Nilson Cruz Júnior, diretor adjunto do Departamento de Tecnologia e Inovação do Ciesp, e Naldo Dantas, secretário executivo da Anpei, também estavam presentes.

A FAPESP tem feito um esforço significativo para reforçar uma cultura de inovação em São Paulo por meio do apoio a projetos inovativos em empresas que utilizam o PIPE para impulsionar suas atividades e, com isso, também atingir mercados externos, disse Queiroz.

Desde a criação do PIPE, em 1997, a FAPESP aprovou 1.314 projetos no âmbito do programa. Entre 2011 e 2014, o número de propostas selecionadas anualmente saltou de pouco mais de 40 para 120 e os investimentos da Fundação no Programa, no ano passado, chegaram a R$ 23,5 milhões.

Temos a responsabilidade de melhorar a estrutura e as perspectivas para inovação de nossos associados, e o PIPE é uma ferramenta importante porque qualifica a empresa e ajuda a ampliar as redes que contribuem para o seu desenvolvimento, disse Cruz Júnior, do Ciesp.

Projetos PIPE podem ser desenvolvidos em duas fases. A primeira oferece até R$ 200 mil ao longo de um prazo máximo de nove meses para a demonstração da viabilidade tecnológica de um produto ou processo. Para a fase 2, de desenvolvimento da inovação, os recursos podem chegar a R$ 1 milhão em dois anos.

O PIPE é uma referência internacional. Poucos países contam com o fluxo e a capacidade de suporte à inovação que o programa oferece, disse Dantas, da Anpei. Além disso, os participantes têm a oportunidade de ampliar sua visão de mercado para construção de empresas de base tecnológica e passam a ter o direito de pensar em tornar suas empresas globais.

 

Inovação gera inovação

 

A programação do encontro incluiu a apresentação do caso da Omnisys, pelo gerente comercial da empresa, Leandro Tomazelli Cordeiro. Criada em 1997 e apoiada pela FAPESP entre 2002 e 2006, a empresa, segundo ele, credita ao programa PIPE o impulso que conseguiu dar ao desenvolvimento de sistemas para aplicações aeronáuticas, navais e meteorológicas, como vigilância do espaço aéreo, controle de embarcações, defesa e segurança.

 

A partir de 2001, a Omnisys agregou às suas atividades a fabricação de equipamentos mecânicos e eletrônicos e elevou seu faturamento de R$ 700 mil para R$ 23 milhões, em 2005. Neste ano, o controle da empresa passou para a multinacional francesa Thales, que está entre as líderes mundiais em tecnologia nos mercados de defesa, segurança, aeroespacial e de transportes.

O primeiro produto da empresa, projeto desenvolvido a partir de 2003 com recursos do PIPE, foi um conjunto de antena e sistema de acionamento de posição desse equipamento ao radar meteorológico Doppler, que estava em desenvolvimento. Em projetos que se seguiram com recursos do programa, a empresa desenvolveu um transmissor e um receptor integrados ao radar.

Começamos com um desafio de grande complexidade e concluímos um produto consolidado, com capacidade de detectar o deslocamento de nuvens e a intensidade de chuvas, também utilizado para controlar o tráfego aéreo, disse Carneiro.

O conhecimento que acumulamos até esse momento permitiu a criação de outros produtos e o acesso a mercados nacionais e internacionais, disse.

Carneiro se refere à Estação de Telemedidas, para apoio e segurança dos foguetes no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, ao Radar de Trajetografia e a um Sistema de Rastreamento Óptico, ambos para rastrear e monitorar foguetes e mísseis, entre outros produtos desenvolvidos na Omnisys.

Com sede em São Bernardo do Campo, São Paulo, e uma unidade no Rio de Janeiro para atendimento exclusivo à Marinha brasileira, a empresa atingiu receitas de R$ 70 milhões em 2014. Hoje, a Omnisys exporta 41% de sua produção para 11 países.

As apresentações feitas no evento podem ser vistas em www.fapesp.br/9334

 

Fernando Cunha

Agência FAPESP