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FAPESP destinou mais de R$ 1 bilhão para pesquisa em São Paulo

Publicado em 02 setembro 2020

Por Jussara Mangini, da Agência FAPESP

A FAPESP desembolsou em 2019 R$ 1,26 bilhão no fomento a 24.806 projetos de pesquisa, 14.363 deles contratados em exercícios anteriores e ainda em andamento. Os 10.443 projetos novos, contratados no período, corresponderam a 42% do total das pesquisas financiadas, como demonstra o Relatório Anual de Atividades da FAPESP 2019, que já pode ser acessado em http://www.fapesp.br/publicacoes/relat2019.pdf.

“Os resultados apresentados neste Relatório reiteram o papel cada vez mais relevante que a FAPESP ocupa no cenário da pesquisa nacional e internacional, ao mesmo tempo em que demonstram o protagonismo cada vez maior dos pesquisadores de São Paulo no cenário da produção científica global”, diz o presidente da FAPESP, Marco Antonio Zago.

Do total do desembolso, 43% foram destinados ao pagamento das diversas modalidades de bolsas, no país e no exterior, a graduandos, doutorandos, pós-graduandos, entre outros. Mais da metade das bolsas vigentes (60%), foram contratadas em anos anteriores e cerca de 40% eram novas.

Com os Auxílios à Pesquisa, a FAPESP despendeu R$ 717,2 milhões: 58% no financiamento de projetos em andamento e 42% com projetos novos, de acordo com o Relatório de Atividades 2019.

Metade de todo o desembolso, mais precisamente R$ 630,5 milhões, foi direcionada a pesquisas básicas e aplicadas, voltadas para o avanço do conhecimento. Trata-se de um portfólio de pesquisa ambicioso, com financiamento em longo prazo, desenvolvida no âmbito de projetos que envolvem equipes multidisciplinares e várias instituições de pesquisa, como os Temáticos e os Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs), entre outros projetos de grande impacto para a ciência e para a sociedade, como novos tratamentos para o câncer, técnicas para melhorar a qualidade de transplantes, criação de órgãos em impressão 3D e a descoberta de efeitos de substâncias candidatas potenciais a medicamentos para diversas doenças, entre outros descritos no Relatório.

Pesquisa para alavancar a inovação

Na perspectiva da inovação, a Fundação destinou 9% dos recursos desembolsados à pesquisa desenvolvida em colaboração por universidades e empresas, em iniciativas como as dos Centros de Pesquisa em Engenharia/Centros de Pesquisa Aplicada (CPEs/CPAs) e do programa Pesquisa para Inovação Tecnológica (PITE), além de oferecer apoio a startups e pequenas empresas inovadoras no âmbito do programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE).

Os CPEs/CPAs, que articulam equipes de pesquisas de universidades e institutos de pesquisa e de empresas parceiras em torno de um projeto comum por um período de até 11 anos, seguem um modelo igualmente inovador de cofinanciamento, envolvendo a FAPESP, a empresa e a instituição-sede do Centro, o que permite alavancar os investimentos em pesquisa.

Três novos Centros de Pesquisa em Engenharia, constituídos em 2019 em parceria com a Equinor, Koppert do Brasil e Grupo São Martinho, instalados, respectivamente, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na Universidade de São Paulo (USP/ESALQ) e na Universidade Estadual Paulista (Unesp/FCAV de Jaboticabal), deverão mobilizar, nos próximos cinco anos, mais de R$ 133 milhões para o financiamento de investigações nas áreas de reservatórios de produção de petróleo, controle biológico de pragas e fitossanidade em cana-de-açúcar, somados os recursos da FAPESP, a contribuição das empresas e a contrapartida econômica das instituições-sede.

Os sete Centros que já estavam em operação em 2019, criados em parceria com cinco empresas – GlaxoSmithKlein, Natura, Peugeot-Citroën, Embrapa e Shell –, injetarão, no período de cobertura dos acordos, um total estimado de R$ 72,8 milhões em 119 projetos de pesquisas em áreas estratégicas para o desenvolvimento. Entre estes projetos destacam-se os testes de gás natural veicular (GNV) em um veículo híbrido movido a gasolina, realizados pelo Research Centre for Gas Innovation (RCGI), constituído em parceria com a Shell e sede na Escola Politécnica da USP, e as pesquisas sobre fungos e bactérias que podem tornar a agricultura resiliente às mudanças no clima, realizados pelo Centro de Pesquisa em Genômica Aplicada às Mudanças Climáticas (GCCRC), na sigla em inglês), em parceria com a Embrapa e sede na Unicamp. O Relatório descreve como detalhes as atividades dos 10 Centros.

No âmbito do PITE, que também utiliza o modelo compartilhado de financiamento, 25 empresas colaboravam em 99 projetos em andamento em universidades e institutos de pesquisa. A relação de empresas e os valores investidos também estão detalhados no Relatório de Atividades 2019.

No caso do PIPE, o apoio da FAPESP a startups e pequenas empresas inovadoras tem caráter de subvenção. Em 2019, a Fundação investiu R$ 89,3 milhões em 1.435 projetos em andamento, mais da metade deles (794) contratados em períodos anteriores. Desde a criação do programa, em 1997, pequenas empresas e startups de 144 municípios de São Paulo já tiveram projetos apoiados.

O Relatório também dá detalhes de alguns dos 1.024 projetos desenvolvidos no âmbito de nove programas de Pesquisa em Temas Estratégicos, que procuram dar respostas a desafios que se colocam para o desenvolvimento do Estado de São Paulo e do país, tais como bioenergia, biodiversidade, mudanças climáticas, políticas públicas, entre outros, aos quais a FAPESP destinou R$ 75,4 milhões (6% do total) em 2019.

Modernização da infraestrutura de pesquisa

A Fundação também investiu R$ 121,4 milhões (9,7% do desembolso em 2019) na modernização da infraestrutura de pesquisa das universidades – sempre estimulando o uso compartilhado de equipamentos de pesquisa –, além de promover a divulgação dos resultados das investigações desenvolvidas para um público amplo, contribuindo para aumentar o protagonismo da ciência e da tecnologia na vida das empresas e dos cidadãos.

A divulgação da ciência é parte da missão da FAPESP que, em 2019, contou com recursos da ordem de R$ 18 milhões. Os resultados deixam claro que a pesquisa científica ganha visibilidade cada vez maior para o público e para a imprensa. Projetos apoiados pela FAPESP tiveram, ao todo, 32 mil citações na mídia nacional e internacional – um aumento de 58% em relação a 2018 – e as plataformas on-line da FAPESP registraram 14,6 milhões de acesso no período, de acordo com o Relatório de Atividades. A repercussão na mídia dos conteúdos publicados pela Agência FAPESP de notícias, revista Pesquisa FAPESP, boletim Pesquisa para Inovação, entre outras ações de divulgação, pode ser conferida no site http://www.namidia.fapesp.br.

Cooperação em pesquisa

Em um recorte horizontal no portfólio de projetos apoiados, o Relatório de Atividades destaca a cooperação em pesquisa nacional e internacional. Em 2019, a FAPESP apoiou 6.082 projetos desenvolvidos em colaboração: 2.907 foram cofinanciados – em um total de R$ 138,7 milhões – e 3.175 projetos, financiados exclusivamente pela FAPESP, receberam R$ 177,1 milhões.

Foram firmados 42 novos acordos de parceria para pesquisa, 28 dos quais com organizações internacionais e 14 com organizações nacionais, num total de 231 acordos de cooperação vigentes no ano.

Os números apresentados no Relatório de Atividades evidenciam o compromisso da FAPESP com a colaboração internacional, no esforço para aprimorar a qualidade da pesquisa realizada em São Paulo, potencializar e ampliar seu impacto internacional: em 2019, a Fundação tinha parceria com 188 organizações de 36 países, de todos os continentes (107 instituições de ensino superior e pesquisa, 57 agências de fomento, 16 agências multilaterais e 8 empresas), tendo realizado 34 chamadas conjuntas de propostas com 28 delas, além de duas edições da FAPESP Week, em Londres, no Reino Unido, e em Lyon e Paris, na França.