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O Imparcial (Presidente Prudente, SP)

Fapesp dá início ao novo projeto Genoma Estrutural

Publicado em 14 junho 2000

Por Janaína Simões - Agência Estado
São Paulo - Com um encontro reunindo três dos principais especialistas em genoma no mundo, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) deu o primeiro passo para colocar em prática o Projeto Genoma Estrutural. No workshop realizado ontem na sede da entidade, em São Paulo, os especialistas fizeram uma exposição de como está atualmente o estudo da estrutura das proteínas, objeto central do novo projeto. "Eles integram uma comissão de acompanhamento que vai se reunir depois do workshop para a valiar o projeto", explica o professor Rogério Meneghini, que coordena a pesquisa. O Genoma Estrutural irá trabalhar como seqüenciamento obtido no projeto Genoma Humano do Câncer, que também é da Fapesp. Este último está pesquisando a seqüência genética dos cânceres de colo de útero, gástricos, de cabeça e pescoço, os mais comuns no Brasil. O Genoma Estrutural vai estudar a estrutura das proteínas dos genes das células cancerígenas para que se possa desenvolver mecanismos capazes de inibi-las. Essa pesquisa é uma das grandes esperanças de se encontrar um meio de controlar o crescimento de um câncer, desenvolver métodos de prevenção e até se chagará cura da doença Ainda não foi definida a verba para a realização da pesquisa e seu anúncio oficial será feito depois da avaliação do projeto por parte da comissão internacional que irá assessorar os pesquisadores. A comissão é composta pelos especialistas Roberto Poljak, do Centro para Pesquisa Avançada em Biotecnologia da Universidade de Maryland, William Studier, do Departamento de Biologia do Laboratório Brookhaven, e por Cristina Redfield, do Centro de Ciências Moleculares de Oxford. Os três foram os convidados para o workshop feito pela Fapesp. Inovação - Dois métodos de pesquisa serão usados no Projeto Genoma Estrutural. Um é a cristalografia por raio X, que será feita no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS-CNPq), que tem uma equipe de 32 pessoas trabalhando em Biologia Molecular, coordenadas pelo professor Rogério Meneghini. A cristalografia consiste em técnicas de difração (limitação no avanço de uma onda. deixando passar apenas uma fração desta) e espalhamento de raio X para se determinar a estrutura tridimensional de uma molécula OLNLS é o único equipamento no Hemisfério Sul capaz de gerar luz de alta energia, que é utilizada na cristalografia. O outro método, de Ressonância Nuclear Magnética Espectroscópica (NMR, em inglês), ainda será introduzido em São Paulo. Essa técnica é semelhante ao que se aplica nas ressonâncias magnéticas feitas nos exames médicos, se utilizando de ondas de rádio para mostrar a estrutura de moléculas. "Vamos trazer um pesquisador italiano especializado no assunto. Queremos fazer com esse projeto o que já foi feito com o estudo do genoma do amarelinho, ou seja, formar pessoas e gerar tecnologia afirma Meneghini. A meta inicia é determinar a estrutura de 50 proteínas. "Mesmo proteínas que tinham função conhecida serão interessantes para estudo. Podemos trabalhar tanto com proteína que já tenha sua função determinada, mas não se conheça sua estrutura, como fazer o procedimento inverso'', explica Meneghini. "Esse é um trabalho muito demorado, se conseguirmos entre essas 50 proteínas definir a estrutura completa de cinco ou seis, já estaremos satisfeitos", diz. "A equipe de Roberto Poljak está há quase decanos trabalhando nisso, e conseguiu nesse período fazer a estrutura de seis proteínas", completa.