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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Fapesp contempla CMU em projeto de infraestrutura

Publicado em 03 junho 2011

Por Amarildo Carnicel

Facilitar o acesso ao conhecimento. Esse é o principal objetivo do projeto de infraestrutura do Centro de Memória-Unicamp (CMU) recentemente aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Denominado "Preservação, divulgação e disponibilização do acervo documental do Centro de Memória por meio eletrônico", o projeto foi contemplado em R$ 217.077,00 para aquisição de equipamentos e contratação de serviços e mais R$ 32.561,55 de reserva técnica. Trata-se do maior auxílio destinado por uma agência de fomento à pesquisa ao CMU durante seus 26 anos de existência.

"É um empreendimento de grande relevância para a pesquisa na área das humanidades, especialmente no tocante à história da região de Campinas e do interior paulista", afirma o historiador e pesquisador responsável pelo projeto junto à Fapesp, José Roberto Zan. Para a diretora do CMU, Maria Carolina Bovério Galzerani, a aprovação do projeto é o reconhecimento de um trabalho desenvolvido pelo Centro de Memória-Unicamp que há quase três décadas vem consolidando importante papel como centro de pesquisa na área da história social, sobretudo de Campinas e região.

Este projeto permitirá ao CMU digitalizar, armazenar e organizar diferentes acervos históricos visando a disponibilização através de acesso on-line. A aquisição de equipamentos de ponta na área da informática e compatíveis com as especificidades dos documentos - alguns raros que podem ser danificados durante o manuseio - possibilitará a realização desse trabalho, que visa tornar ainda mais acessíveis os acervos hoje mantidos no órgão.

Dentre os equipamentos a serem adquiridos está um scanner planetário que será instalado numa sala dos Arquivos Históricos. Trata-se de um equipamento de ponta que permite escanear documentos sem agredi-los. Enquanto nos equipamentos convencionais, a luz ultrapassa as páginas do documento e, paulatinamente, danifica a matriz, no scanner planetário a leitura é feita como se o equipamento estivesse sendo filmado, sem contato com o original. Dessa maneira, é possível disponibilizar um documento sem abrir mão de sua preservação. Inicialmente, os trabalhos serão realizados sobre duas séries documentais muito acessadas no setor: "Inventários post-mortem/testamentos (1850-1940)" e "Ações de liberdade de escravos (1871-1888)", ambas do Tribunal de Justiça da Comarca de Campinas.

A escolha dessas séries visa atender ao anseio dos pesquisadores que buscam constantemente o acesso ao conteúdo desses documentos para a realização de suas pesquisas para fins acadêmicos ou pessoais. Esse tipo de digitalização, além de facilitar o acesso ao documento, também permite a leitura paleográfica de originais, que, muitas vezes, têm sua compreensão dificultada pela escrita de época ou pela fragilidade de seu suporte.

Outra importante aquisição é um equipamento multifuncional laser (impressora, copiadora, fax e scanner) que ficará na Biblioteca do CMU. O trabalho inicial será focalizado na digitalização de artigos de jornais e revistas que integram o acervo da Hemeroteca, o qual conta, atualmente, com 67.312 recortes, dos quais cerca de 10% estão digitalizados. A base digital da Hemeroteca, atualmente com 6.278 recortes, recebeu até no ano passado 532 mil visitas, aproximadamente, e cerca de 360 mil dowloads foram realizados. Com o novo equipamento, que permite escanear até 50 páginas por minuto, a capacidade será bastante ampliada.

Além desses dois equipamentos, serão adquiridos, via projeto, computadores, acessórios de informática e aparelhos de ar condicionado. O projeto tem duração de um ano, sendo que os relatórios científicos e a prestação de contas deverão estar concluídos até 28 de fevereiro do próximo ano. O projeto foi encaminhado à Fapesp em 2010, quando estava à frente da Direção do CMU o historiador José Roberto Zan.