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Fapesp comemora 45 anos de sucesso e investimento na pesquisa científica

Publicado em 04 junho 2007

Por Maria Lúcia Zanelli

Projetos Genoma, Biota, Pipe e Pite. Esses nomes, tão conhecidos no mundo acadêmico e do público, estão ligados a uma instituição que completou 45 anos no mês de maio. Ao longo da sua história, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) fez com que a ciência nacional paulista e brasileira conseguisse concorrer com os principais centros de pesquisa do mundo. Essa conquista deve-se, segundo Carlos Vogt, presidente da Fundação Fapesp, à manutenção dos estatutos com que foi criada, ao mesmo tempo em que diversificou, no decorrer dos anos, as suas linhas de fomento.

O investimento em pesquisas e a concessão de bolsas (de iniciação científica a pós-doutorado) são responsáveis pelo sucesso dos projetos. "Somente no ano passado, foram investidos quase R$ 522 milhões e concedidas 110 mil bolsas de estudos", disse Vogt. Do total do orçamento da Fapesp, um terço é destinado à concessão das bolsas de estudo. Os recursos da Fapesp são provenientes do repasse de 1% da receita tributária do Estado, previsto pela Constituição Estadual, além do rendimento de seu patrimônio. Seus custos administrativos não podem exceder 5% do total de suas receitas. Trabalhamos com quadro enxuto: temos 220 funcionários trabalhando em horário integral", explicou Vogt.

Em 2006, a Fundação recebeu mais de 15 mil propostas de pesquisa e aprovou quase 10 mil. No mesmo período, elevou em 8% o investimento realizado no ano anterior. O total de recursos para financiamento de projetos cresceu 32% nos últimos 24 meses. Dos quase R$ 522 milhões desembolsados em 2006, R$ 150 milhões foram destinados a bolsas, R$ 224 milhões em auxílios à pesquisa e R$ 148 milhões aos programas especiais e de inovação tecnológica.

André Luiz Moreira, aluno de Geografia da USP, utilizou a bolsa de iniciação científica durante a graduação. "Sem ela, não conseguiria prosseguir os estudos dentro de uma universidade pública, pois minha família é pobre e eu precisaria trabalhar e estudar ao mesmo tempo." Hoje, André já concluiu sua graduação e está partindo para o mestrado na USP.

Lilian Perosa, doutora em Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP), utilizou a bolsa de pesquisa da Fapesp durante o seu mestrado. "Para o pesquisador é importante ter uma agência de fomento séria como a Fapesp, ajudando-o a desenvolver o seu trabalho. A metodologia empregada é criteriosa e imparcial."

Embrião

A história da Fapesp começa bem antes da sua criação, em 23 de maio de 1962. Em 1942, Jorge Americano, reitor da Universidade de São Paulo, instituiu os Fundos Universitários de Pesquisa para a Defesa Nacional. Passados cinco anos, pesquisadores e professores universitários, liderados por João Luiz Meiller e Adriano Marchini, submeteu à Assembléia Constituinte do Estado uma proposta que originou o artigo 123 da Constituição paulista que estabelecia que o apoio à pesquisa científica fosse feito por uma fundação nos moldes da atual Fapesp.

Parceria Público-Privada

A Fapesp também proporcionou estímulo à coesão entre a comunidade científica e a comunidade empresarial, reforçando as linhas de apoio à pesquisa tecnológica. As empresas Aledine e Oxiteno, por exemplo, trabalham com o Programa de Etanol, enquanto a Embraer participa na pesquisa tecnológica. Vogt destacou outros projetos importantes que estão sendo desenvolvidos, como o de Fibra ótica, nos departamentos de Física Fotônica da UFSCar e da Unicamp. Na área de Humanas, os destaques são o Núcleo de Estudos da Violência (USP-SP) e Estudos da Metrópole (USP).

Pesquisas de impacto

Em 1971, O Bioq-Fapesp teve início com a reunião de bioquímicos da USP e da Escola Paulista de Medicina — atual Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O programa induziu a necessária formação de recursos humanos e multiplicou os núcleos de pesquisa no interior do Estado. Em 1974, foi criado o Programa Radar Meteorológico de São Paulo (RadaSP), com equipamento instalado no Instituto de Pesquisas Meteorológicas, que modernizou uma área de interesse fundamental para a agricultura. Em 1994, foi o Programa Parceria para Inovação Tecnológica (Pite). O objetivo era financiar projetos de inovação tecnológica desenvolvidos em conjunto com instituições de pesquisa e empresas instaladas em São Paulo.

No ano de 1997, teve início o Programa Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (Pipe), que visa o apoio ao desenvolvimento de pesquisas inovadoras sobre problemas importantes em ciência e tecnologia, a serem executadas em pequenas empresas, que tenham potencial de retorno comercial ou social.

Projeto Genoma

Em maio de 1997, teve início a pesquisa em genômica no País. A Fapesp organizou a Rede Onsa (Organização para Seqüenciamento e Análise de Nucleotídeos, na sigla em inglês), instituto virtual de genômica formado por laboratórios ligados a instituições de pesquisa do Estado de São Paulo. Em parceria com o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), foi decifrado o material genético da bactéria Xylella fastidiosa, conhecida como praga do amarelinho. O Brasil entrou para a história pelo primeiro seqüenciamento de um fitopatógeno — organismo causador de doença numa planta de importância econômica.

No ano seguinte, começou o projeto Genoma Cana, que identificaria 50 mil genes da cana-de-açúcar para descobrir genes ligados ao desenvolvimento, á produção e ao teor de açúcar da planta. Teve início o projeto Genoma Humano do Câncer, que identificaria, em menos de um ano, um milhão de seqüências de genes de tumores mais freqüentes no Brasil. Como conseqüência, foi criado o projeto Genoma Clínico do Câncer, com o intuito de estudar novas formas de diagnóstico e tratamento do câncer a partir do estudo de genes expressos.

Projeto Biota

Em março de 1999, foi lançado o Programa Biota-Fapesp, para mapear e analisar a biodiversidade paulista, incluindo a fauna, a flora e os microrganismos. O programa, por meio de rede virtual, interliga mais de 500 pesquisadores paulistas participantes de 50 projetos de pesquisa.