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Fapesp celebra seus 50 anos

Publicado em 01 junho 2012

A Fapesp realizou no dia 30 de maio, na Sala São Paulo, uma cerimônia comemorativa de seus 50 anos, completados no último dia 23 de maio.

Participaram da cerimônia Geraldo Alckmin, governador do estado de São Paulo, Marco Antonio Raupp, ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Sidney Beraldo, secretário da Casa Civil, Marcelo Araújo, secretário da Cultura, Julio Semeghini, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Regional, Herman Voorwald, secretário da Educação e integrante do Conselho Superior da Fapesp, Helena Nader, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), reitores e pró-reitores das universidades paulistas e de outros estados, membros da comunidade científica e acadêmica, empresários, políticos, conselheiros e diretores da Fapesp.

Em seu discurso, o presidente da Fapesp, Celso Lafer, avaliou que a instituição se tornou um marco no campo do apoio à pesquisa no estado de São Paulo e no Brasil. "No correr dos 50 anos da existência da Fapesp, pode-se dizer que ela se tornou este marco graças a uma ação coletiva, fruto de uma convergência de forças e vontades dos seus sucessivos dirigentes e parceiros da comunidade científica e do respeito com o qual os sucessivos governantes paulistas seguiram os requisitos da autonomia e do repasse regular dos recursos que presidiram o projeto de sua criação", disse.

"A explicação do porquê ela se tornou este marco está vinculada ao conceito da autoridade tal como formulado por Hannah Arendt. Autoridade - autorictas - provém do verbo augere, aumentar, com o significado de acrescer sempre algo de significativo ao ato da fundação. Por isso, como apontei, a dinâmica da instituição foi norteada pelo objetivo de continuamente agregar substância ao princípio que norteou a sua criação", disse Lafer.

Chefe da Casa Civil do Governo do Estado de São Paulo em 1962, quando foi instituída a Fapesp, o jurista Hélio Bicudo ressaltou que a instituição da Fundação decorreu de uma imposição legal da Constituição Estadual de 1947, que estabeleceu em seu artigo 123 que o amparo à pesquisa seria propiciado pelo estado.

A Constituição paulista previu o modo de efetivar tal iniciativa por intermédio de uma fundação, que foi instituída em 23 de maio de 1962 por meio de um decreto sancionado por Carlos Alberto de Carvalho Pinto (1910-1987), governador paulista de 1959 a 1963. "Tive a honra de colaborar, juntamente com o professor Paulo Vanzolini, da inauguração dos estatutos da Fapesp", contou.

"Mas também é preciso destacar que o então reitor da USP, o professor Antonio Barros de Ulhôa Cintra, teve participação ativa neste processo de instituição da Fapesp, porque naquela época o reitor da USP tinha status de secretário estadual e despachava diretamente com o governador. Essa posição permitiu a realização de muitas ideias que vinham da comunidade acadêmica em relação a questões importantes sobre o fomento à pesquisa no estado de São Paulo."

O diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz, destacou a mudança promovida na pesquisa paulista nos últimos 50 anos com a instituição da Fundação. "No ano em que foi fundada, em 1962, a instituição recebeu 428 solicitações de apoio a projetos de pesquisa, contra 20,6 mil solicitações em 2011. Apenas quatro anos após ser instituída, os cientistas do estado de São Paulo publicaram aproximadamente 42 artigos científicos, o que representava 14% do total da produção científica brasileira", disse.

Dez anos depois, em 1976, a produção científica brasileira cresceu 26 vezes e a do estado de São Paulo aumentou 90 vezes, passando a representar metade da produção científica do país. "É claro que a Fapesp teve um papel nisso, mas seria um equívoco dizer que somente ela teve participação nessa mudança, porque foi um conjunto de ações e instituições que contribuíram para criar a base científica que há hoje no estado de São Paulo", ponderou.

"Para fazer a pesquisa científica acontecer não basta ter só financiamento. O mais importante é ter bons pesquisadores em boas instituições, que valorizem a qualificação e o mérito acadêmico. E isso o estado de São Paulo e o Brasil souberam desenvolver", disse.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação ressaltou que a Fapesp é precursora e líder de um modelo frequentemente seguido em outros estados brasileiros, que contribuiu para a formatação do sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação. "Seu financiamento à pesquisa muitas vezes ajudou a superar a ausência de investimento do governo federal em momentos de turbulência financeira ou de obtusidade política e auxiliou na implantação da infraestrutura de pesquisa, ajudando o pesquisador brasileiro a acompanhar a competição internacional", disse Raupp.

Por sua vez, o governador Alckmin ponderou que, antes de a Fapesp ser instituída, São Paulo já fazia ciência, com pesquisadores como Oswaldo Cruz (1872-1917) e Emílio Ribas (1862-1925), mas que a entrada em cena da Fundação representou um marco na história da ciência do estado e do País. "O fato é que, como agência de fomento e de promoção do conhecimento, a Fapesp inovou estabelecendo novos parâmetros para as instituições de pesquisa públicas e privadas de São Paulo e tem sido decisiva para que nosso estado contribua com 51% da produção científica nacional e responda por 25,5% de todos os artigos científicos produzidos na América Latina e publicados em revistas internacionais indexadas", disse.

Durante a cerimônia, foi exibido um vídeo com depoimentos de pesquisadores e bolsistas com projetos apoiados pela Fapesp, que pode ser visto no site http://agencia.fapesp.br/15677.

O pesquisador Munir Salomão Skaf, do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas, apoiado na primeira turma do Programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes, lançado pela Fapesp em 1995, deu um depoimento emocionado sobre a contribuição da Fundação para o desenvolvimento de sua carreira científica.

A atriz Beatriz Segall foi a mestre de cerimônia do evento, que contou com apresentação do Coro da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), regido por Naomi Munakata.

(Agência Fapesp)