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Jornal Brasil

FAPESP, BG Brasil, GSK e Natura alinham propostas para a criação de centros de pesquisa

Publicado em 06 janeiro 2014

Representantes das empresas BG Brasil, GlaxoSmithKline (GSK) e Natura reuniram-se na FAPESP com dirigentes da Fundação, de universidades e de instituições de pesquisas do Estado de São Paulo com o objetivo de trocar informações sobre as chamadas de propostas para a submissão de projetos em parceria que envolvem a criação de centros de pesquisa em áreas estratégicas.

Além dos investimentos em pesquisa aportados pela FAPESP e empresas parceiras, os centros contarão também com recursos das instituições sede na forma de despesas operacionais e salários.

“Queremos levar as instituições de ensino e pesquisa a pensar e a agir sobre as contrapartidas institucionais absolutamente necessárias para que os centros venham a ter vida própria – ou seja, garantia de pessoal e serviços essenciais à sua administração e gestão”, disse Hernan Chaimovich, coordenador dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) e assessor especial da Diretoria Científica da FAPESP, na abertura da reunião no dia 17 de dezembro.

De acordo com Chaimovich, espera-se que as propostas sejam transdisciplinares, tenham objetivos claros e bem definidos no curto, a médio e longo prazo.

“Das equipes, esperamos composições balanceadas, que reúnam pesquisadores experientes, referenciais e com reputação internacional e pesquisadores jovens, que representem e assegurem o futuro das iniciativas”, afirmou.

A seleção de cada centro de pesquisa será feita em conjunto pela FAPESP e pelas respectivas empresas, e contará com a contribuição de um comitê internacional independente.

“Queremos com isso garantir os interesses da comunidade científica, das empresas participantes e principalmente dos contribuintes. Nesse sentido, é fundamental que as instituições de ensino superior e de pesquisa nos ajudem a despertar o interesse e aumentar a demanda qualificada por esses programas”, disse o assessor especial da FAPESP.

Centros de excelência

Os representantes da BG Brasil, da GSK e da Natura afirmaram ver na criação de centros de excelência, a ser viabilizada pelas parcerias, a possibilidade de ampliar de maneira robusta e duradoura a interação entre empresas e universidades.

“Acreditamos que podemos gerar valor relevante tanto para a academia quanto para a indústria por meio desse tipo de iniciativa, que se mostra ousada, desafiadora e capaz de levar a pesquisa, a inovação e a difusão do conhecimento a patamares mais elevados”, afirmou Luciana Hashiba, diretora de Gestão de Portfólio e Redes da Natura.

No caso da chamada com a Natura, o objetivo é criar um Centro de Pesquisa Aplicada em Bem-Estar e Comportamento Humano, com foco em neurociência e psicologia, intersecção com cultura e sociedade e apoio de ciências complementares como epigenética e ciências da saúde.

“Percebemos uma grande oportunidade de compreender e mapear parâmetros comportamentais da população brasileira e futuramente estabelecer indicadores de bem-estar, do ponto de vista do indivíduo e do coletivo, que resultem em uma nova inteligência para o desenvolvimento de produtos, conceitos e serviços”, disse Patrícia Tobo, gerente científica de Bem-Estar da Natura.

FAPESP e Natura reservarão, cada uma delas, R$ 1 milhão por ano (totalizando R$ 2 milhões anuais), financiamento que será inicialmente concedido por dois anos e que pode ser renovado por mais quatro períodos de dois anos. O prazo final para a apresentação de propostas é 14 de março de 2014.

Já a chamada com a GSK visa criar um Centro de Excelência para Pesquisa em Química Sustentável.

“O primeiro ponto-chave é desenvolver sínteses mais eficientes. Atualmente, o chamado típico processo químico tem eficiência inferior a 1%. Queremos aumentá-la para 5%. Vias que exijam menos manipulações sintéticas podem ser facilitadas por processos químicos inovadores – é o que buscamos e esperamos”, disse Tatiana Castello Branco, head of Medical Affairs da GSK Brasil.

Outra meta é encontrar solventes, reagentes e matérias-primas sustentáveis. Sobre esse último aspecto, Castello Branco explicou que “mais de um terço das emissões de carbono da cadeia de suprimentos da GSK são atribuídas aos materiais. É necessário, portanto, promover investigações apuradas sobre como essas emissões podem ser reduzidas”.

A FAPESP e a GSK e compartilharão um investimento de aproximadamente £800 mil por ano, por um período de 10 anos. As propostas serão recebidas até o dia 21 de fevereiro de 2014.

A terceira chamada, com a BG Brasil, visa estabelecer um Centro de Pesquisa para Inovação em Gás Natural. “Nos últimos anos, desenvolvemos pesquisas relacionadas aos nossos negócios cotidianos e também ligadas aos desafios tecnológicos que o BG Group enfrenta ao redor do mundo. A chamada com a FAPESP está associada justamente a um desses desafios, que é buscar inovação e tecnologia em gás natural”, disse John Costin, gerente de Projetos de Tecnologia do BG Group.

As investigações deverão focar em três áreas principais: engenharia, físico-química e política energética e economia. A intenção é que elas resultem em mais eficiência energética, na redução das emissões de gases de efeito estufa, em mais possibilidades de entender e influenciar a demanda por gás natural, além de sustentar seu posicionamento como combustível premium.

FAPESP e BG Brasil investirão cada uma até US$ 10 milhões ao longo de cinco anos. A data limite para a submissão de projetos é 10 de março de 2014.


Fonte: Agência FAPESP