Notícia

JC e-mail

Fapesp aprova grupos da Rede de Biologia Molecular Estrutural

Publicado em 25 maio 2001

A Fundação de Amparo a Pesquisa de SP (Fapesp) aprovou financiamentos a 16 grupos de pesquisa para a formação da Rede de Biologia Molecular Estrutural, SMOLBnet, uma rede de laboratórios voltada para o desenvolvimento de estudos sobre a determinação de estruturas tridimensionais de proteínas. Inicialmente, o objetivo é trabalhar com cerca de 200 proteínas associadas aos genes seqüenciados nos projetos Genoma Humano do Câncer, Genoma Cana (SUCest), e genomas das bactérias Xylella fastidiosa e Xanthomonas citri, mas poderão ser propostos estudos de proteínas ligadas a outros problemas de saúde publica. Cada um dos laboratórios deve trabalhar com entre 4 e 8 proteínas e receberá US$ 78 mil, em quatro anos. O investimentos podem chegar a US$ 3,5 milhões, com a aquisição de novos equipamentos. As pesquisas da Rede são bastante promissoras, pois podem gerar conhecimento para a produção de novos fármacos, criados com base em ações especificas das proteínas. Esses compostos orgânicos tem estruturas muito versáteis e são responsáveis por quase todos os complexos processos biológicos de um organismo, como o transporte de ferro no sangue ou o controle da entrada de açúcar nas células. Um dos inibidores de protease, presente no coquetel de medicamentos utilizado desde 96 por portadores do vírus HIV, e1 um exemplo típico de medicamento desenvolvido a partir da elucidação da estrutura de uma proteína associada a um vírus. A formação da SMOLBnet deve ampliar a competência brasileira no campo da biologia molecular estrutural, contribuindo para a capacitacao de pesquisadores e para o aumento da quantidade de estruturas de proteínas estudadas. Hoje, o Brasil participa com cerca de 0,25% da produção mundial e estima-se que até 2005 pelo menos 200 novas proteínas humanas e de bactérias sejam elucidadas. A SMOLBnet desenvolverau seus estudos com o apoio do Centro de Biologia Molecular Estrutural (CBME), dirigido pelo bioquímico Rogério Meneghini. O Centro está sediado no Laboratório Nacional de Luz Sincrotron (LNLS), em Campinas, e pode oferecer aos grupos da Rede uma infra-estrutura mais ampla do que a existente em suas instituições de origem. No CBME, os pesquisadores dispõem de feixes de raios-X produzidos por uma linha de luz, síncrotron destinada exclusivamente à pesquisa de proteínas, alem de dois novos equipamentos de ressonância nuclear magnética (em fase de instalação), adquiridos com apoio da Fapesp. Todas as etapas necessárias para que uma proteína fique em condições de ser estudada são realizadas no CBME. Técnicos e cientistas replicam, purificam e cristalizam proteínas (no caso daqueles tipos que podem chegar a esta etapa) ou fazem a etapa até a purificação (no caso de proteínas que não cristalizam e, portanto, devem ser analisadas com uso de ressonância magnética). O Centro ocupa um prédio de 3.400 m2, onde foram investidos R$ 2,4 milhões - dois terços do próprio LNLS, com recursos do MCT, e um terço da Fapesp. A equipe tem 45 pessoas, entre pesquisadores, técnicos e bolsistas de iniciação científica ao pos-doutorado. Grupos e coordenadores selecionados: 1. Adilson Leite - Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética da Unicamp 2. Dulce Helena Ferreira de Souza - Depto. Física Aplicada, Inst. Física de São Carlos, USP 3. Emer Suavinho Ferro e Edna Teruko Kimura - Depto. Histologia e Embriologia (ICB-USP) 4. Hamza Fahmi Ali El Dorry e Carla Columbano de Oliveira — Depto. Bioquímica, Inst. Química (USP) 5. Iscia Teresinha Lopes Cendes — Depto. de Genética Medica (FCM-Unicamp) 6. Ismael Dale Cotrim Guerreiro da Silva — Depto. de Ginecologia (Unifesp) 7. Luis Carlos de Souza Ferreira — Depto. de Microbiologia (ICB-USP) 8. Luis Eduardo Soares Netto — Depto, de Biologia. Inst. Biociencias (USP) 9. Ronaldo de Carvalho Araújo, Jair Ribeiro Chagas e João Bosco Pesquero - Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e Depto. de Biofísica (Unifesp) 10. Roy Edward Larson — Depto, de Biologia Celular e Molecular e Bioagcntcs Patogenicos (FMRP-USP) 11. Sandro Roberto Valentini e Maria Célia Bertolini - Inst. Química (Unesp/Araraquara) 12. Sérgio Schenkman e Beatriz Amaral de Castilho - Depto. Microbiologia, Imunologia e Parasitologia (Unifesp) 13. Shakcr Chuck Farah - Depto. Bioquímica, Inst.Química (USP) 14. Tomomasa Yano - Depto. Microbiologia e Imunologia, Inst. Biologia (Unicamp) 15. Walter Filgueira de Azevedo Júnior - Depto. Física (Unesp) 16. Walter Ribeiro Terra - Depto. Bioquímica, Inst. Química (USP) (Assessoria de Imprensa da Fapesp; Fone: 3838-4151 / 4178 / 4176; E-mail: cunha@fapesp.br ou monica@fapesp.br) Segundo Evanilda da Silveira, do "O Estado de SP", o projeto de criação da Rede de Biologia Estrutural prevê o investimento de US$ 3 milhões em quatro anos. Ela ouviu o bioquímico Rogério Meneghini, diretor do Centro de Biologia Molecular Estrutural do Laboratório Nacional de Luz Sincrotron (CBME/LNLS), ligado ao Ministério de C&T, que coordenara' a Rede. Meneghini disse: "Cada grupo receberá no máximo US$ 100 mil, nesse mesmo período, para pesquisar de 10 a 20 proteínas." "Alem das originarias dos Projetos Genomas Fapesp, os grupos também terão liberdade para propor o estudo de algumas de seu próprio interesse." O conhecimento da estrutura das proteínas permite compreender sua função nas células. "Elas fazem de tudo num organismo transportam o ferro no sangue, controlam a entrada de açúcar na célula, constituem-se em hormônios importantes", explica. "Há ainda as que participam de processos patológicos, como câncer e infecção por vírus e bactérias, por exemplo." E' aqui que entra a aplicação pratica do conhecimento que será1 gerado pela Rede. Conhecendo-se a estrutura tridimensional de uma determinada proteína, é possível desenhar uma substancia química que iniba a sua atividade quando desejado. "Dai o interesse da indústria farmacêutica em conhecer a estrutura dessas proteínas, o que permitira1 desenhar drogas mais especificas para o tratamento de doenças." Exemplo conhecido é o inibidor da protease do HIV, proteína fundamental para a replicação do vírus. "O inibidor faz parte do coquetel antiaids e e1 uma molécula desenhada a partir da estrutura tridimensional da protease do HIV que se liga a ela, inibindo-a." A repórter de "O Estado" ouviu ainda o diretor científico da Fapesp, José Fernando Perez, para quem a criação da rede representa a confirmação do sucesso do Projeto Genoma e mostra que, finalmente, o Brasil começa a ser percebido no exterior como um pólo de excelência da pesquisa em biologia molecular. "Agora vamos da bancada de pesquisa à farmácia. Estamos entrando numa área muito nova, ao mesmo tempo que pesquisas similares estão sendo desenvolvidas pelos americanos e europeus." (O Estado de SP, 25/5) JC e-mail