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Fapesp aposta em pesquisas sobre esquistossomose e mal de chagas

Publicado em 06 fevereiro 2012

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) está investindo mais de R$ 1,4 milhão para ajudar os pesquisadores da Universidade de Franca (Unifran), no interior paulista, a desenvolver medicamentos contra esquistossomose e mal de Chagas. O estudo também conta com a parceria da JP Indústria Farmacêutica, que injeta R$ 400 mil no projeto. Após os testes pré-clínicos (em roedores e não roedores) e clínicos (em humanos), a expectativa é de que as novas fórmulas cheguem ao mercado em 2015.

Apesar de atingirem milhões de pessoas no mundo, as doenças eram até então negligenciadas pelos laboratórios e institutos de pesquisa. Só no Brasil, ambas afetam mais de 20 milhões de pessoas. "Para esquistossomose, hoje só existe um remédio no planeta, ao passo que há o registro de 300 milhões de infectados em todas as nações e 600 milhões de pessoas vivendo em 72 países considerados áreas de risco", explicou o farmacêutico Márcio Luís Andrade e Silva, docente de Química da Unifran. Para os dois novos medicamentos, há pedidos de patentes depositados no Brasil, América Latina, Estados Unidos, Europa e Japão.

O trabalho começou em 2000, quando a Fapesp aprovou o projeto Jovem Pesquisador em Centros Emergentes para ser desenvolvido na Unifran. A ideia foi estudar sementes da Piper cubeba, condimento alimentar importado da Índia. Descobriu-se que derivados semissintéticos obtidos de cubebina (substância majoritária isolada da pimenta) apresentam ações esquistossomicida (impede a postura de ovos do parasita Schistosoma mansoni no organismo humano) e combate a instalação do Tripanossoma cruzi, causador do mal de Chagas.

"No caso do mal de Chagas, fizemos alguns ensaios em camundongos, realizados nos laboratórios da Universidade de Franca, que comparavam a aplicação dos nossos fármacos com os disponíveis no mercado. Detectamos que os animais vivem mais tempo com nosso medicamento", afirma o farmacêutico e também coordenador da pesquisa.

Os medicamentos contra essas doenças, atualmente disponíveis no mercado farmacêutico, apresentam limitações de uso, graças aos efeitos colaterais e à ação tóxica que causam no organismo dos pacientes, sendo inclusive contraindicados nos casos mais graves. "Já as drogas que estamos desenvolvendo são geradas de fontes naturais. E os estudos de toxicidade em animais revelaram que não há efeitos colaterais", frisa o docente.