Notícia

Jornal da USP

Fapesp anuncia compra de navio

Publicado em 29 novembro 2010

O debate sobre o futuro da pesquisa oceanógrafica e sua relação com a sociedade, que aconteceu no Instituto Oceanográfico da USP, no dia 18 de novembro, contou com uma surpresa muito celebrada por alunos, professores e pela comunidade científica presente ao evento. O professor Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp, anunciou publicamente a aprovação de recursos para aquisição do navio de pesquisa Moana Wave e de outra verba destinada à construção de um barco de pesquisa. Os equipamentos custarão cerca de US$ 9,5 milhões. Os recursos serão cedidos pela fundação logo que os projetos tiverem aprovação final.

A aquisição do navio de pesquisa alivia um problema sério vivido por alunos e outros pesquisadores, que, desde 2008, não contam com um equipamento desse porte para desenvolver suas pesquisas. Isso porque o navio Oceanográfico da USP, Professor Besnard, pegou fogo em novembro daquele ano, no Rio de Janeiro, e não tem mais condições de navegar.

O diretor do instituto, professor Michel Michae-lovitch de Mahiques, conta que o incêndio no Besnard acarretou problemas sérios para os cientistas do mar, porque, em oceanografia, a pesquisa de campo é fundamental. "O custo dos reparos necessários para reiniciar as atividades no Besnard eram tão altos que optamos pela compra de um novo equipamento, solicitando recursos através de um projeto encaminhado à Fapesp", disse o diretor.

Depois de alguns meses de pesquisa, os especialistas do Instituto Oceanográfico escolheram uma embarcação que opera nos Estados Unidos, chamada Moana Wave. A escolha foi decidida depois da análise das condições gerais da embarcação. "O pequeno número de adaptações necessárias ao pleno funcionamento do navio foi fundamental para a decisão. Atualmente a embarcação pertence a uma empresa privada e já é usada por outras empresas de pesquisa nos Estados Unidos", esclareceu Mahiques. O diretor destacou que o Moana Wave será o único navio civil em atividade no Brasil capaz de fazer pesquisas oceanográficas na região do pré-sal.

Uma curiosidade comentada no momento do anúncio da liberação dos recursos destinados à compra do navio oceanográfico - que deverá custar US$ 7,5 milhões - foi o novo nome sugerido para a embarcação: Alpha Crusis. Mahiques justificou: "A ideia agrada porque tem grande simbolismo. Aplha Crusis é o nome da grande estrela sul do Cruzeiro do Sul, que representa o Estado de São Paulo na bandeira do Brasil. A sugestão partiu do comandante do navio Professor Besnard, José Helvécio Rezende, e foi bem recebida pela maioria das pessoas do instituto".

Outra notícia que rendeu comemoração foi a liberação de verba -cerca de US$ 2 milhões -para a construção de um barco, que também será usado para a pesquisa. O barco terá a metade do tamanho do navio oceanográfico e terá como característica marcante ser multiusuário, ou seja, poderá ser usado por um grande número de pessoas com diferentes fins de pesquisa.

O professor Rolf Roland Weber, responsável pelo projeto do barco oceanográfico, revelou que esta será a primeira embarcação com fins totalmente científicos construída no Brasil. Ele disse que o equipamento terá cerca de 24 metros. "O barco foi projetado exclusivamente para pesquisa, com uso voltado para atividades de porte médio. Seu caráter multiu-so o diferencia das outras embarcações que temos. O barco será um laboratório importante porque o custo das viagens será menor do que o do navio oceanográfico", ressaltou Weber.

O professor destacou ainda que não se faz pesquisa de qualidade com apenas um equipamento. No caso do estudo dos mares, a USP não pode contar com apenas um navio, mas deve ter embarcações bem equipadas e apropriadas para o desenvolvimento da pesquisa científica.