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Fapesp amplia internacionalização de pesquisas

Publicado em 26 setembro 2013

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) deu mais um passo no caminho da internacionalização das pesquisas feitas no Brasil. A fundação está celebrando acordos com três das mais famosas instituições britânicas - o Imperial College, a Universidade de Manchester e o British Council - e com o grupo britânico de petróleo e gás BG. A iniciativa com a empresa no Brasil é criar um centro de pesquisa em gás natural em São Paulo, um investimento de US$ 20 milhões em 10 anos.

Os recursos serão divididos igualmente entre a fundação e a BG Brasil na criação do Centro de Pesquisa para Inovação em Gás, em São Paulo. Serão projetos focados na pesquisa para redução de gases de efeito estufa, desenvolvimento do gás como combustível para navios, melhoramento de técnicas de engenharia, por exemplo.

"Estudos científicos adequados em eficiência energética e na mitigação de gases de efeito estufa irão contribuir para garantir segurança energética enquanto o ciclo do gás continuar", disse Celso Lafer, presidente da Fapesp, na abertura da Fapesp Week ontem em Londres. O evento, que reúne cerca de 150 pesquisadores brasileiros e britânicos termina sexta-feira.

Esta é a quinta edição da Fapesp Week que já aconteceu nos Estados Unidos, Japão, Espanha e Canadá. "Estamos comprometidos com a internacionalização", continuou Lafer. "E conscientes de que é preciso abrir a instituição para pesquisadores estrangeiros em São Paulo, assim como abrir o caminho para os cientistas brasileiros em outros países.

"Entre 2005 e 2010, 303 projetos de pesquisa foram apoiados pela Fapesp e universidades e institutos no exterior. O maior parceiro é os Estados Unidos (115), seguido pela França (87), Alemanha (41) e Reino Unido (27). China, Coreia do Sul e Brasil são os três países com maior crescimento na produção de pesquisa nos últimos anos, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp.

"A intenção é introduzir tecnologia e mais produtividade em vários setores da economia", mencionou Roberto Jaguaribe, embaixador brasileiro no Reino Unido. "Não há dúvida que temos muito o que aprender um com o outro", disse Paul Boyle, CEO do Economic and Social Research Council, a maior organização no financiamento de pesquisas sociais e econômicas no Reino Unido.

O acordo com a BG sela a intenção da Fapesp de continuar aproximando as pesquisas que ocorrem nas universidades com as das indústrias. "A ideia do centro é produzir conhecimento e pesquisa aplicada", disse Brito Cruz. Um acordo nestes moldes já foi feito com a Peugeot-Citroën, para a criação de um centro de pesquisa e engenharia de veículos movidos a biocombustíveis. Outro centro, na área farmacêutica, está em negociação com o grupo GSK.

"O Brasil é uma oportunidade", destacou David Jones, gerente de tecnologia do BG Group, grupo produtor de petróleo e gás natural com sede em Reading, na Inglaterra. No Brasil, a companhia detém participações em alguns campos da Bacia de Santos e recentemente desistiu de participar do leilão do campo de Libra, do pré-sal. "A meta agora é o gás natural", disse Jones sobre a possibilidade de a empresa pesquisar gás de xisto no Brasil.

Valor Econômico