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FAPESP ajudou São Paulo a se tornar uma referência em ciência

Publicado em 16 fevereiro 2017

Qual a importância da FAPESP para o desenvolvimento da ciência, da tecnologia e da inovação no Estado de São Paulo? Para responder à pergunta, a professora Maria Aparecida Ruas, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, recorre ao livro “Crônicas subversivas de um cientista”. Ela abre na página 148, onde sublinhou um pequeno trecho a lápis, e começa a ler:

“A verdadeira revolução paulista aconteceu em 1960, com a criação da FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Foi com a FAPESP que São Paulo saiu da Idade Média, que a universidade deixou de ser um clube onde se reuniam ilustres médicos, engenheiros e advogados para trocar ideias, que a indústria e a agricultura paulista encontraram apoio e base para um desenvolvimento tecnológico autossustentável, que a Economia, as Ciências Humanas e as Letras foram reconhecidas como atividades válidas e úteis, que, enfim, a pesquisa nas Ciências, nas Técnicas e nas Atividades Culturais foi reconhecida como elemento-chave para o progresso da sociedade”.

O livro é de autoria de Luiz Hildebrando, professor-emérito da Faculdade de Medicina da USP e da Universidade Federal de Rondônia, que foi um dos mais respeitados especialistas em doenças tropicais do mundo.

Na verdade, muitos especialistas ressaltam que o embrião da FAPESP já estava se formando desde a Constituição Estadual de 1947, quando foi incluído um artigo atribuindo 0,5% da receita do Estado de São Paulo à pesquisa científica. Mas a lei que criou a FAPESP só foi promulgada em 18 de outubro de 1960 por Carvalho Pinto. Quase 30 anos depois, em 1989, o artigo da Constituição foi alterado e atribuiu-se o mínimo de 1% da receita tributária do Estado para aplicação em desenvolvimento científico e tecnológico.

“O fato de ter recursos assegurados é o que faz a diferença em São Paulo, porque você tem continuidade e pode planejar. Como construir um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID), que necessita de investimentos de longo prazo, se você não sabe se terá esses recursos à disposição?”, diz o professor José Alberto Cuminato, do ICMC, que coordena o Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), um dos 17 CEPIDs apoiados atualmente pela FAPESP.

Os CEPIDs são uma iniciativa que a agência de fomento lançou em 2000, com a missão de realizar pesquisa fundamental ou aplicada, com impacto comercial e social relevante, contribuindo para a inovação. Cada Centro pode ser apoiado por um período de até 11 anos. Aprovado em 2011 pela FAPESP, o CeMEAI começou suas atividades em junho de 2013 e o valor concedido para o Centro em seus primeiros cinco anos chegará a R$ 13 milhões.

Em São Carlos, quando são comparados os recursos repassados pela USP ao ICMC com os auxílios fornecidos pela FAPESP, o impacto da agência de fomento fica ainda mais evidente. No período de 2013 a 2016, o ICMC recebeu R$ 21,3 milhões da FAPESP, sem contabilizar as 375 bolsas concedidas nesses quatro anos pela agência. Isso representa mais que o dobro do valor repassado pela USP para custeio das atividades do Instituto, que totalizou, aproximadamente, R$ 9,5 milhões no período.

Em função da atuação da FAPESP, São Paulo é o único estado brasileiro em que os investimentos estaduais em ciência, tecnologia e inovação são comparáveis aos investimentos federais. “Todas as áreas de pesquisa, inclusive a de computação, na qual atuo, não estariam no estágio de desenvolvimento e maturidade que estão se não fossem os investimentos contínuos e de qualidade da FAPESP, em consonância com investimentos de outras agências de fomento do Brasil e do exterior”, explica José Carlos Maldonado, professor do ICMC.

Da universidade para a sociedade – De acordo com o professor Francisco Louzada, do ICMC, o financiamento da FAPESP possibilita acelerar o processo de transferência de uma tecnologia criada dentro da Universidade para a sociedade. “O poder público exerce um papel essencial nesse aspecto, pois dá a oportunidade para nós, pesquisadores, aprendermos a captar um problema industrial e teorizar esse problema, gerando produtos acadêmicos – como teses de doutorado, dissertações de mestrado, artigos, livros – e também produtos tecnológicos”, diz o professor, que é coordenador de transferência de tecnologia do CeMEAI.

Entre os exemplos de produtos tecnológicos produzidos pelo Centro ele cita softwares e estudos específicos sobre linha de produção e sobre controle de qualidade. “Isso faz a gente levar a academia para dentro das indústrias, promovendo esse processo de transferência tecnológica e inovação”, completa.

Escrito por Redação