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Monitor Mercantil

Faperj 30 anos: Uma visão de quem a acompanha desde sua criação

Publicado em 01 julho 2010

Ao completar 30 anos de existência, a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro-Faperj, tem o que comemorar. Certamente a intensa atividade em Ciência, Tecnologia e Inovação hoje existente nas universidades, institutos de pesquisa e empresas de base tecnológica refletem a crescente atuação da Faperj. Em sua breve história podemos destacar algumas etapas vencidas e ao mesmo tempo registrar o agradecimento da comunidade científica e tecnológica pela atuação de sucessivos governos estaduais que atuando de formas variadas, mantiveram e, em alguns casos, ampliaram a atividade da instituição. Afinal, cada vez mais Ciência, Tecnologia e Inovação devem ser encaradas como atividade de Estado e não de governo.

Uma primeira etapa importante foi sua criação em 1980, a partir da fusão de outras instituições públicas através da Lei Estadual No 319, de seis de junho daquele ano, por iniciativa do então Governador Chagas Freitas. Como jovem pesquisador atuando no Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho comemorei o fato, pois via ali a possibilidade do Rio de Janeiro contar com algo semelhante à exemplar Fundação paulista, a FAPESP, responsável pela grande atividade científica naquele estado. No entanto, ao longo de todo o governo Chagas Freitas e durante o primeiro governo de Leonel Brizola, a atuação da Faperj no que se refere ao apoio à atividade científica foi praticamente inexistente. Cabe registrar, no entanto, que foi decisiva para implantação no governo Brizola dos Centros Integrados de Educação Pública-CIEPs.

O governo Moreira Franco (1987-1991) iniciou uma segunda fase da instituição que foi então estruturada nos moldes atuais graças à atuação de José Pelúcio Ferreira, como Secretário de Ciência e Tecnologia do Estado, e as atuações de Luis Candiota e de Eduardo Penna Franco na diretoria da Faperj. Nesta ocasião, foram então iniciados os programas de apoio à pesquisa, concessão de bolsas, etc., tão importantes para a consolidação do Rio de Janeiro como pólo de desenvolvimento científico. O ano de 1988 foi marcante, pois os recursos atingiram cerca de US10 milhões, permitindo a obtenção de equipamentos de grande porte. Eu mesmo obtive a aprovação de uma proposta para compra de um microscópio eletrônico de transmissão que funciona até hoje. No entanto, os últimos anos do governo Moreira Franco e todo o segundo ano do governo Leonel Brizola (1991-1994) e no governo Marcelo Alencar (1995-1998) a Faperj manteve um funcionamento basal, concedendo pequenos auxílios e bolsas. Nesta fase, o maior destaque, na minha opinião, foi o sucesso do movimento realizado pela comunidade científica, sob a liderança da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que conseguiu inscrever na constituição do Estado a obrigatoriedade do estado aplicar 2% da sua receita na Faperj. Tal fato, no entanto, não ocorreu. O orçamento executado em 1998 foi de apenas R$ 11 milhões.