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Diário do Comércio (MG)

Fapemig vai receber R$ 159 milhões para fortalecer programas

Publicado em 20 março 2007

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) vai receber, a partir deste ano, 1% da receita orçamentária corrente do Estado de acordo com o que determina a Constituição Estadual. "Com o repasse integral, será possível fortalecer todos os programas da Fapemig e criar novos, de acordo com as demandas da comunidade científica", declara o presidente da fundação, José Geraldo de Freitas Drumond. A previsão para 2007 é de um repasse de cerca de R$ 159 milhões. Atualmente, a Fapemig financia uma média anual de mil projetos de pesquisa, concede certa de três mil bolsas e apóia quase mil eventos científicos.

Com esse montante de recursos, a instituição se torna a segunda Fundação de Amparo à Pesquisa do Brasil, atrás apenas da Fapesp, de São Paulo, no que se refere ao orçamento real executado e cumprimento do dispositivo constitucional. O valor destinado à Fapemig vem crescendo a cada ano.

Há quatro anos, em 2003, a fundação recebeu o total de R$ 25 milhões para de empenhar suas atividade. Esses recursos são utilizados para financiamento de projetos de pesquisa concessão de bolsas que contemplam desde o ensino médio até o pós-doutorado, participação e organização de eventos científicos, formação de redes de pesquisa entre outros.

O professor Gerson Pianetti, da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), lembra que o desenvolvimento de um povo é avaliado em quanto o Estado investe em educação e tecnologia. Cumprindo o percentual pela primeira vez, o governo de Minas demonstra, para ele, o interesse em desenvolver o setor de ciência e tecnologia, gerando empregos e fixando os profissionais do setor em Minas. "Aumenta, também a força política do Estado", garante.

Seguindo as diretrizes do Governo do Estado, a Fapemig também estimula a    inovação nas empresas. Para isso, lançou o Programa  de Apoio a Pesquisa em Empresas, que tem por        objetivo financiar projetos que     apresentem inovações            tecnológicas que possam ser facilmente inseridos no mercado.

Arrancada

Segundo Paulo Gazzinelli, que foi diretor científico da Fapemig e secretário-adjunto de Estado de Ciência e Tecnologia, "essa é uma luta antiga da comunidade cientifica. Ao atingir 1%, como previsto na Constituição, o Estado vai passar a ser mais competitivo não só no Brasil, mas em todo o mundo". Ele lembra que essa arrancada para o desenvolvimento é de grande impacto, mas que, ao mesmo tempo, a sociedade deve esperar resultados imediatos, já que o desenvolvimento científico tecnológico um processo longo.

"Com certeza é o começo de um novo processo com o repasse de cerca de US$ 75 milhões. Esse valor é muito expressivo", disse. Para a pesquisadora da área de Saúde da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Sylvia do Carmo Castro Franceschini, essa é uma reivindicação antiga dos pesquisadores mineiros, "que tivéssemos uni governo do Estado empenhado e comprometido com a área e que, a exemplo do que acontece na Fapesp em São Paulo, repassasse o 1% do tesouro para incremento da pesquisa em Minas Gerais".  Segundo ela, existem áreas que não andam sem investimento, e ciência e tecnologia é uma delas. "Não se faz pesquisa sem recurso. A melhora no orçamento da Fapemig foi gradual, aconteceu nos últimos quatro anos. Há três anos, a entidade trabalhava com recursos da ordem de R$ 20 milhões. o ultimo ano, foram mais de R$ 100 milhões. O 1% é muito bem vindo e, com certeza, a Fapemig vai saber gastá-lo bem", completou.