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Agência Gestão CT&I

Faltam verbas para pesquisa aeroespacial, apontam especialistas

Publicado em 10 outubro 2016

Prejudicada pela falta de investimentos públicos, a indústria aeroespacial brasileira precisa de mais participação do setor privado em pesquisa e desenvolvimento (P&D). A afirmação é de especialistas que debateram os rumos do segmento, na última sexta-feira (7), em audiência pública da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) realizada no Parque Tecnológico de São José dos Campos (SP).

O diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique Cruz, destacou a relação do investimento privado e público em ciência e tecnologia (C&T). A União, afirma o gestor, investe 0,6% do PIB em C&T - proporção semelhante à dos padrões internacionais - enquanto as empresas só aplicam 0,5% da riqueza que geram.

Cruz sublinhou que, em países como Estados Unidos e Canadá, o setor privado investe o dobro disso. Para o diretor da Fapesp, o desafio do Brasil é aumentar o número de pesquisadores trabalhando nas empresas, competir no cenário mundial e elevar o número de patentes.

A fabricante de aviões Embraer, sediada em São José dos Campos, pediu ajuda do governo para o desenvolvimento de produtos mais competitivos. Os executivos da empresa afirmaram que a companhia já investe 10% de seu faturamento em pesquisa, e suas concorrentes no mundo contam com incentivos estatais.

Representantes da Força Aérea Brasileira (FAB) acrescentaram críticas à falta de verba e à carência de mão de obra para desenvolver a indústria espacial. Mas o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Leonel Perondi, declarou que o Brasil tem o sexto maior programa espacial do mundo e, com reforço nos investimentos, tem condições de buscar uma melhor posição.

Supercomputador

No encontro com a comitiva de senadores da CCT, representantes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) pediram dinheiro do Orçamento federal para a compra de um novo supercomputador, no valor de R$ 100 milhões. O equipamento atualmente em uso é de 2010 e já está obsoleto. Sem esse supercomputador, argumentam os pesquisadores, o País pode ficar sem serviços essenciais do instituto, como a previsão do tempo.

O presidente da CCT, senador Lasier Martins (PDT-RS), se disse convicto de que os recursos para o supercomputador são mesmo necessários e que tentará convencer os colegas a destinar emendas parlamentares para adquiri-lo. O prazo para apresentação das emendas na CCT termina em 20 de outubro.

Ciclo

O evento faz parte de ciclo destinado a avaliar como as atividades de pesquisa e inovação podem criar condições favoráveis ao desenvolvimento regional. O primeiro debate foi realizado em Porto Alegre, em 1º de julho. Na programação, estão previstos eventos nos municípios do Rio de Janeiro (RJ), Belém (PA) e Campina Grande (PB).

(Agência Gestão CT&I, com informações da Agência Senado)