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Faltam cérebros nas empresas brasileiras, diz especialista

Publicado em 06 julho 2006

Não há dúvidas de que a parceria entre universidades e empresas é um dos pilares fundamentais para a inovação. Essa aproximação, no entanto, não é suficiente para gerar competitividade. As empresas também precisam estimular a criação do conhecimento dentro do próprio ambiente corporativo. Esse foi o principal desafio lançado por Carlos Brito Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de SP (FAPESP), durante sua palestra no 4º Congresso Internacional Brasil Competitivo, realizado em Brasília nesta quinta-feira (06). "No Brasil, ainda temos a dificuldade de entender que a empresa também deve se envolver no processo da criação do conhecimento. A pesquisa na universidade não substitui a pesquisa dentro da empresa", destacou Cruz. Segundo ele, a visão de que só as universidades geram conhecimento resulta em uma distorção nos processos de inovação — o fato de que há poucos cientistas trabalhando dentro das empresas brasileiras. De acordo com Cruz, apenas 23% dos pesquisadores brasileiros estão empregados na iniciativa privada. "Nos Estados Unidos, por exemplo, 80% dos cientistas trabalham para empresas", comparou. Cruz ressaltou, ainda, que a política econômica brasileira também atrapalha a criação de ambientes corporativos inovadores — já que as empresas preferem investir seus recursos no mercado financeiro. "É difícil esperar que alguém coloque dinheiro na inovação podendo ter retorno estável e garantido com as altas taxas de juros".
Parques Tecnológicos — Durante o Congresso, o Movimento Brasil Competitivo (MBC) divulgou o estudo "Mecanismos de Inovação e Competitividade" sobre as atuais condições dos Parques Científicos e Tecnológicos brasileiros. A análise constatou que o país possui parques equivalentes aos existentes em nações desenvolvidas — mas não conta com uma estratégia para transferir esse potencial acadêmico para as corporações. O levantamento também elencou os dois maiores desafios que precisam ser superados para o país entrar na rota da inovação: estabelecer linhas de financiamento da infra-estrutura laboratorial e logística e melhorar os sistemas de regulação. "Nada estrangula mais a inovação do que a burocracia e a ausência da proteção à propriedade intelectual", destacou Thomas Bombelles, diretor internacional de relações governamentais da Merck Sharp & Dohme, empresa farmacêutica patrocinadora do estudo.