Notícia

A Tribuna (Santos, SP) online

Falta rumo a pesquisas do mar, dizem especialistas

Publicado em 07 setembro 2019

Por Eduardo Brandão

Responsável por tornar a Terra habitável, influenciaro clima e fonte de diversidade ambiental, o oceano ainda é pouco explorado. Pelo menos na costa brasileira, isso se deve a falhas na elaboração de projetos para pesquisas científicas.

A falta de direcionamento para atacar os principais problemas ambientais pautou parte dos debates desta sexta-feira (6), último dia do seminário Cultura Oceânica, na Associação de Engenheiros e Arquitetos de Santos (AEAS), no Boqueirão, em Santos.

O hiato entre a produção acadêmica e aplicação de conhecimento também foi abordado no painel Inovação Social e Cultura Oceânica. A plenária reuniu especialistas de universidades públicas, pesquisadores e educadores ambientais e entidades financiadoras de pesquisas acadêmicas.

“A ciência é algo muito importante para ficar concentrada apenas nas mãos de cientistas”, resume Thiago Carlos Cagliari, coordenador do Programa de Pesquisa Oceanográfica e Impactos Ambientais, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A crítica foi no sentido de aproximara produção acadêmica da sociedade.

Para a coordenadora adjunta de Ciências Humanas e Sociais da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Paula Montero, falhas na elaboração de projetos impedem destinar verba à produção científica. “O conhecimento tem que ser voltado para atender uma demanda específica”, diz.

Segundo ela, a maior parte dos pedido de financiamento para pesquisas peca na delimitação da questão a ser enfrentada. “O problema e a possível área de aplicação devem ser bem claros. Enquanto isso não for alinhado, o projeto não avança (para ter financiamento pelo órgão).”

O titular de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Fernando Martins, reconhece que a identificação do problema é o principal obstáculo na elaboração da produção científica.

Políticas Públicas

O especialista ambiental e integrante do Circulando Educação Ambiental (CEA-SP), da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Rodrigo Machado, destaca a formulação de políticas públicas para transformar a produção científica em ações práticas e objetivas. Ele explica que esse trabalho deve partir da sociedade.

Segundo ele, há agentes e grupos sociais atuando de forma isolada na preservação ambiental. O papel do CEA-SP é uni-los, para que o Poder Público) “deixe de ser o criador do debate para torná-lo parte da sociedade”.

Unesco quer promover cultura oceânica

Promover a Cultura Oceânica é uma meta da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) de 2021 a 2030.

O teor dos debates realizados desde quinta-feira (5) em Santos vai compor uma carta aberta à sociedade.O texto será somado à versão em português da publicação Cultura Oceânica para Todos.

Trata-se de um kit pedagógico da Comissão Oceanográfica Intergovernamental da Unesco para fazer a sociedade abordar a importância dos oceanos e como os temos tratado.

Desafio

“É um desafio conciliar economia, desenvolvimento e conservação e a educação. Por isso, o conhecimento científico é fundamental para construir um futuro que inclua uma boa relação com os oceanos”, diz Ronaldo Adriano Christofoletti, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), uma das organizadoras do evento.

Essa notícia também repercutiu nos veículos:
A Tribuna (Santos, SP) Central das Notícias