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Falta de conhecimento em ciência interfere na leitura de bula

Publicado em 25 junho 2014

Por Redação Bonde

Ao ingerir um medicamento, grande parte da população dispensa rapidamente o uso da bula. Porém, esse velho costume da cultura brasileira é considerado perigoso pelos especialistas, além disso, é um problema relacionado a educação.

 

O Brasil aparece no final da lista de países avaliados pelo exame internacional Pisa, entende-se então, que o ensino no país é ruim e o interesse pela ciência também.

 

Ácido Acetilsalicílico

 

O remédio citado acima é o famoso aspirina, conhecimento internacionalmente. A bula do medicamento informa que cada comprimido tem 500mg de "ácido acetilsalicílico" e que os "componentes inertes" são amido e celulose. No entanto, a maioria dos brasileiros nunca ouviram as palavras entre aspas, mas consomem aspirina sem ter ideia do que estão ingerindo.

 

O que muitos não sabem, é que a bula da aspirina informa que a sua ingestão aumenta o risco de sangramento, e isso pode ser fatal para pacientes com dengue hemorrágica, por exemplo.

 

Além disso, a bula também alerta que os comprimidos devem ser armazenados na sua embalagem original, em temperatura ambiente, entre 15 a 30°C" e protegidos da umidade. Mas nem todos seguem a recomendação, caso o medicamento seja guardado em locais mais úmidos, pode perder o efeito.

 

Sem bula

 

Esse problema do descarte das bulas é conhecido pelas indústrias farmacêuticas. Segundo o chefe de logística, Reinaldo Oliveira, que recentemente visitou uma das fábricas da Pfizer no Brasil, que produz medicamentos como o Advil, a maioria dos medicamentos que retorna à fábrica por "problemas" chega sem bula. Ele afirma que a bula é a primeira coisa que o usuário joga fora ao abrir o remédio.

A taxa de retorno à fábrica de medicamentos Pfizer é de 0,2%. Podem voltar à fábrica comprimidos que tenham mudado de cor ou consistência, entre outros problemas.

 

Interesse

 

Atualmente, especialistas tentam encontrar maneiras para que as pessoas passem a ler as bulas e corram menos riscos.

Todos sabem que o interesse pela ciência e a educação científica caminham juntos. De acordo com um estudo realizado por um grupo de pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), divulgado em 2010 pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a leitura de bulas de remédios e de rótulos de alimentos são maiores quando há o interesse declarado pela ciência.

Do total de pessoas que participaram da pesquisa, 69,3% declaram que gostam de ciência e que também leem bulas de medicamentos. A rotina de ler bulas cai conforme o interesse por ciência diminui. A pesquisa mostra ainda que, dos indivíduos que frequentaram ou frequentam ensino superior, 71,7% leem bulas de remédios.

A relação entre escolaridade, interesse por ciência e leitura de bulas de remédios evidenciada nesta pesquisa, mostra o quanto a educação e a saúde caminham juntos. Portanto, uma sociedade com melhores níveis de educação está mais preparada para entender e lidar com a própria saúde.