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Falta d’água pode afetar mais de 70 milhões de brasileiros até 2035

Publicado em 12 agosto 2019

Não é segredo para ninguém que a crise hídrica tem sido um assunto cada vez mais urgente no país. De acordo com um relatório apresentado na última quinta-feira (8) durante o 15º Congresso Brasileiro de Limnologia, em Florianópolis (SC), quase 65% das áreas úmidas brasileiras foram perdidas, e isso pode fazer com que 74 milhões de brasileiros possam sofrer com a falta d’água até 2035.

O relatório, intitulado “Água: biodiversidade, serviços ecossistêmicos e bem-estar humano no Brasil”, é fruto da parceria entre 17 pesquisadores de instituições do país inteiro. Carlos Joy, professor da Universidade Estadual de Campinas, declara para a Agência FAPESP: “A água é um recurso de suma importância para o Brasil, onde já vemos regiões, como o Sudeste, que têm enfrentado crises hídricas bastante sérias nos últimos anos”. O pesquisador também destaca: “A redução da disponibilidade de água poderá acirrar os conflitos pelo uso desse recurso no país”.

O relatório aponta que as atividades econômicas no Brasil dependem de água, sendo que as principais (agricultura e pecuária) consomem 750 mil e 125 mil litros de água por segundo, respectivamente; além disso, a indústria usa mais de 180 mil litros de água por segundo. O relatório indica, ainda, que os setores econômicos altamente dependentes de água já têm sofrido os impactos da diminuição da disponibilidade do recurso em função de fatores como as mudanças climáticas, de uso do solo, fragmentação de ecossistemas e poluição.

Em contrapartida, a coordenadora do relatório, Aliny Pires, professora da UERJ, aponta: “A água não é só um recurso hídrico, mas também um componente-chave da biodiversidade, patrimônio cultural do país e um elemento essencial para o bem-estar da população brasileira”. O relatório diz que cerca de 10% das espécies de peixes continentais do país estão sob risco de extinção e 30% do total de espécies da fauna ameaçada no Brasil compreendem peixes e invertebrados de água doce.

“Em biomas como a Amazônia e o Pantanal, a alternância entre as cheias e as vazantes determina a estrutura e a dinâmica dos diversos ecossistemas da região. Nesses casos, a interrupção do pulso de inundações periódicas leva a um colapso no funcionamento dos ecossistemas”, afirma Joly. “Um dos fatores que causaram as crises hídricas pelas quais São Paulo tem passado nos últimos anos é a remoção de cobertura vegetal nativa”,o professor completa.

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