Notícia

Comércio da Franca

Falta apoio à pesquisa

Publicado em 19 janeiro 2008

Joana D'Arc Félix de Sousa é química francana. É PHD em Química pela Universidade de Harvard e desenvolveu um estudo, conforme mostrado na edição de ontem deste Comércio, que pode modificar a relação das indústrias calçadistas para com os dejetos que geram.

Joana criou um método para extrair subprodutos das sobras do couro industrial que rendem, em média, até R$ 400 livres por tonelada de couro. Significa que, diariamente, só com o lixo industrial jogado no aterro da cidade (cerca de 200 toneladas-dia), seria possível gerar R$ 80 mil, livres, com o processamento do lixo. É um bom dinheiro que serviria, certamente, para sustentar centenas - senão milhares - de famílias.

A pesquisa é tão significativa que já recebeu R$ 600 mil da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), entidade que financia pesquisas do Estado de São Paulo.

Além dos efeitos financeiros, o trabalho de Joana é importante por outro motivo. Pode reduzir significativamente os danos ambientais causado pelo couro que, via de regra, é descartado em aterros sanitários. Faz bem, portanto, para o meio ambiente.

A pesquisa dela não é nova e foi desenvolvida nos últimos anos em Franca. Em momento nenhum as entidades ligadas ao setor calçadista chamaram a pesquisadora para conversar ou apoiaram os estudos. Sintetizando, os maiores beneficiados ignoraram completamente algo que, além de ajudá-los nas questões ambientais, poderia, ainda, gerar renda.

Questionado ontem por este periódico, Jorge Donadelli, presidente do Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca) afirmou não conhecer o projeto, mas mostrou-se interessado em aplicá-lo.

Menos mal que, depois da fase em que o apoio era mais importante - os testes - a entidade tenha "caído em si" e resolvido adotar o procedimento. Isso não apaga, porém, a história de descaso que a pesquisadora enfrentou ao longo da pesquisa.

Investir em inovação e pesquisa é essencial para qualquer tipo de indústria. Triste do setor, porém, que precisa ser cutucado para ficar atento ao que pode ajudar a ele mesmo. Esperamos, pois, que a situação sirva ao Sindifranca e às demais entidades do setor e que, enfim, o reconhecimento seja dado à pesquisadora e ao processo que ela, tão bem, desenvolveu. E que, no futuro, tal situação, de resto lamentável, não volte a se repetir.