Notícia

Jornal de Piracicaba

Fábrica deve produzir pamonha este ano

Publicado em 11 março 2007

As pamonhas —— e quem sabe outros produtos à base de milho —— que serão servidas na 34ª Festa do Milho, no distrito de Tanquinho, no próximo ano, já podem ser produzidas em série, na "fábrica" que está sendo construída no próprio Centro Rural de Tanquinho. É o primeiro produto da cadeia produtiva do milho que tem projeto desenvolvido em parceria com a Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), por meio da professora Marta Spoto, do departamento de agroindústria, Sema (Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento), Sebrae-SP e Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). A capacidade de produção é de 6.000 unidades por dia ou o processamento de 2.000 quilos de milho verde. É a agroindústria da pamonha que está nascendo.

"Estamos na fase do desenvolvimento da planta de produção —— equipamentos —— e da construção do prédio", afirmou o presidente do centro rural, José Albertino Bendassolli. Ele revela que pelo menos 75% da estrutura para abrigar a agroindústria da pamonha já está pronta. "São 400 metros quadrados de construção", afirmou. Para concretizar o empreendimento, que visa por meio de cooperativa, estabelecer os produtores e gerar emprego e renda, serão empregados pelo menos R$ 800 mil. Bendassolli disse ao Jornal de Piracicaba que os recursos vêm da Fapesp (R$ 300 mil), Sebrae (R$ 100 mil), prefeitura, por meio da Sema (R$ 200 mil) e outros R$ 200 mil do próprio centro rural. A "fábrica" deve estar implementada até o final deste ano, o que vai agilizar a produção das pamonhas. Nos três finais de semana de festa deste ano, a previsão é que pelo menos 30 mil pamonhas sejam consumidas. Até amanhã, segundo dia de evento, o centro está preparado para vender 10 mil unidades.

O coordenador do centro revelou que no departamento de agroindústria da Esalq é desenvolvida a parte científica do projeto, visando à qualidade final do produto e a durabilidade, por exemplo, por meio das análises. Já a planta de produção está sendo desenvolvida, prevendo "grande parte dos equipamentos automatizada para que se tenha o menor contato manual com o produto, por isso são especiais". Ele argumentou que com a agroindústria haverá qualidade e agilidade no produto. Bendassolli afirmou que na planta haverá equipamentos para despoupagem do milho, separação de bagaço, dosagem correta do milho, envase e cocção que, segundo ele, tem de ser a 90ºC, por tempo de 45 a 50 minutos. "Depois vêm as fases de pré-refrigeração e refrigeração, de 0ºC a 2ºC", revelou.

A cadeia produtiva do milho está prevista também a produção do curau, suco, entre outros produtos à base do cereal.

Quando a produção da pamonha tiver início, Bendassolli afirmou que é intenção ter uma espécie de loja com os produtos no próprio centro para que as pessoas possam experimentar, antes de começar a fornecer os quitutes para estabelecimentos de Piracicaba, como supermercados e até para exportação. "Queremos inicialmente observar a produção da pamonha", disse.

PRODUÇÃO DO MILHO — Com a agroindústria, segundo Bendassolli, a intenção também é incentivar a agricultura familiar. Ele calcula que para a produção da pamonha é necessária área de plantio de cerca de 150 hectares. "De 15 a 20 produtores de milho do próprio distrito e adjacências poderia suprir a demanda para a produção", avaliou.

Bendassolli também disse que é preciso para cada produto um tipo de milho adequado, como é feito hoje para a produção manual.