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Expressões idiomáticas do português e de variantes do francês

Publicado em 19 abril 2013

Por Mariana Guiraldo

Inédito por apresentar expressões idiomáticas (EIs) do português e do francês e suas diferentes variantes, o dicionário DEIPF (Dicionário de Expressões Idiomáticas Português do Brasil e de Portugal – Francês da França, da Bélgica e do Canadá) está disponível gratuitamente na página da Unesp de São José do Rio Preto, em http://www.deipf.ibilce.unesp.br/

A obra, desenvolvida pela docente Claudia Xatara, do Departamento de Letras Modernas, é fruto de 23 anos de pesquisa. O assunto, que despertou a curiosidade da docente, lhe rendeu a dissertação de mestrado, a tese de doutorado, três pós-doutorados, além da publicação de livros e dicionários impressos e eletrônicos.

Para esse trabalho,  financiado em parte pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), Claudia contou com a colaboração de pesquisadores do Ibilce e de outras Universidades nacionais e estrangeiras, como a  Universidade de Paris (França), a Universidade Livre de Bruxelas (Bélgica) e a Universidade de Laval (Canadá), responsáveis pela revisão dos verbetes quanto ao uso em seus países. 

“Nossa intenção com este dicionário foi elaborar uma obra que testemunhe o uso dessas unidades fraseológicas, seja para a função de decodificação, quando o objetivo é traduzir-, seja para a de codificação, quando é necessário produzir um texto oral ou escrito”, comenta Claudia. “Além disso, seu acesso on-line favorecerá sua divulgação das EIs brasileiras junto à comunidade francófona e lusófona. Acreditamos, ainda, que pesquisas financiadas em universidades públicas, cujo resultado final seja uma obra para consulta prática e pontual, deva retornar à sociedade gratuitamente”.

A professora explica que a EI é uma sequência de palavras com sentido figurado e cristalizada pela tradição cultural de uma comunidade linguística. Assim, seu significado só existe no conjunto, não podendo ser extraído a partir das palavras que a compõem isoladamente. “Os usuários da língua acabam reconhecendo uma necessidade de falar de maneira mais pitoresca, mais criativa, de sair da denotação das palavras comuns e, por isso, recorrem às EIs”, afirma.

Para Claudia, o uso e conhecimento das EIs tem mais a ver com a idade de cada usuário, do que com o nível de escolaridade. Ela explica que, mesmo na língua materna (LM), para crianças, adolescentes e jovens até certa faixa etária, muitas delas são desconhecidas e causam estranheza. “O domínio dessas expressões idiomáticas acontece progressivamente, conforme elas vão sendo apresentadas ao indivíduo, o que pode variar dependendo da história de vida de cada um”, explica. “Como professora de língua estrangeira (LE), percebi que esse mesmo processo acontece com meus alunos. Quanto menos tempo o aprendiz de uma LE tem de contato com essa língua, menos expressões ele vai conhecer e entender”.

Claudia conclui que tanto em LM quanto em LE os idiomatismos são constantes desafios. Dessa maneira, o dicionário surge como um instrumento facilitador. “Percebi a dificuldade da aprendizagem e a abundância do emprego dessas expressões. A partir desse desequilíbrio, organizei o dicionário como elemento que pudesse unir tal deficiência e necessidade de expressão”, conta a professora.

O dicionário já está disponível para uso, mas ainda haverá atualizações para melhorar sua funcionalidade. Os responsáveis pelo desenvolvimento da página do dicionário na web foram os estudantes do Curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas da Fatec (Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo), Daniel Oliveira Martins e Higor Eduardo Borges Galdino.

Mais informações sobre o dicionário podem ser conferidas no link: http://www.deipf.ibilce.unesp.br/apresentacao.php

Unesp de São José do Rio Preto