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Jornal do Brasil online

Exposição ao chumbo pode levar a morbidade psíquica

Publicado em 08 abril 2009

Um importante estudo que demonstra associação entre exposição a chumbo e morbidade psiquiátrica em adolescentes conferiu a uma pesquisadora da USP prêmio da União Internacional de Toxicologia

O trabalho de pesquisa de doutorado de Kelly Polido Kaneshiro Olympio, apresentado na Faculdade de Saúde Pública, relaciona a exposição a chumbo e o comportamento antissocial em jovens.

O estudo, realizado em parceria com pesquisadores do Instituto de Química da universidade, analisou as concentrações de chumbo presentes no esmalte dentário de 173 adolescentes residentes em bairros de baixa condição socioeconômica de Bauru, interior paulista.

O objetivo foi investigar uma possível associação entre a concentração de chumbo presente no esmalte dentário, marcador biológico escolhido por refletir a exposição ao metal, de adolescentes de 14 a 18 anos de idade e o estabelecimento de comportamento antissocial.

“Verificamos uma forte associação entre exposição a chumbo e estabelecimento de morbidade psiquiátrica na amostra analisada, como problemas de socialização, quebras de regras sociais e queixas somáticas, que são problemas de saúde sem causa médica conhecida”, explicou a pesquisadora.

Os resultados corroboram pesquisas anteriores realizadas nos Estados Unidos, mas é a primeira desenvolvida no Brasil, “portanto dentro de uma realidade socioeconômica e cultural bastante distinta da americana”, ressaltou.

“Os vários efeitos prejudiciais à saúde causados pela contaminação por chumbo e confirmados pela pesquisa alertam para a necessidade de desenvolvimento de políticas públicas que previnam a contaminação da população brasileira por esse metal”, alertou Kelly.

Tal contaminação, conta Kelly, pode refletir sérias perdas individuais na inserção social e no rendimento profissional, contribuindo para prejuízos econômicos em âmbito populacional.

A pesquisa foi orientada pela professora Wanda Günther, do Departamento de Saúde Ambiental da FSP, e co-orientada pelo docente Etelvino Bechara, do Departamento de Bioquímica do IQ, responsável por um Projeto Temático da FAPESP no qual o trabalho de Kelly está inserido.

No novo estudo, a concentração de chumbo no esmalte dentário foi analisada por meio de uma técnica conhecida como espectrometria de absorção atômica com forno de grafite. Para a interpretação correta da concentração de chumbo foi preciso quantificar também a concentração de fósforo da amostra, por meio de espectroscopia de emissão óptica com plasma indutivamente acoplado.

A neurotoxicidade induzida pelo metal ocorre mediante exposição, ao longo do tempo, a baixas concentrações de chumbo oriundo principalmente da poeira e tintas.