Notícia

Clínica Veterinária

Exportação de vacina contra dengue

Publicado em 01 julho 2018

O Instituto Butantan conseguiu patentear nos Estados Unidos o processo de produção da vacina contra a dengue, que atualmente está na última fase dos testes em seres humanos necessários para que o imunizante possa ser disponibilizado à população.

A patente foi conferida em maio pelo Escritório Americano de Patentes e Marcas (United States Patent and Trademark Office - USPTO). Além de garantir visibilidade internacional ao projeto, a conquista pode significar uma inversão da lógica tradicional de importar tecnologia de países desenvolvidos, segundo comunicado distribuído pela assessoria de imprensa do Butantan. "Desta vez, será o instituto que poderá exportar a tecnologia para o hemisfério norte, que também vem enfrentando casos de dengue e demandará a vacina contra a doença.

Há uma corrida entre pesquisadores ao redor do mundo para desenvolver uma vacina segura e eficaz, que possa ser produzida em larga escala. O Instituto Butantan, com a patente conferida nos Estados Unidos, deu um passo fundamental para se estabelecer na vanguarda do processo", diz a nota. Desde o início, o projeto da vacina contra a dengue teve investimento total de R$ 224 milhões oriundos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Fundação Butantan e do Ministério da Saúde.

A terceira fase do estudo clínico, que começou em 20 16, está sendo realizada em 14 centros de pesquisa clínica, distribuídos em cinco regiões do país, e envolverá até o fmal 17 mil voluntários. O objetivo nessa etapa é comprovar a eficácia do imunizante em proteger os seres humanos contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. Ainda não há data definida para a conclusão dos testes. Dados preliminares indicam que a vacina do Butantan é segura para pessoas de 2 a 59 anos, inclusive as que nunca tiveram a doença anteriormente, induzindo o organismo a produzir anticorpos de maneira equilibrada contra os quatro sorotipos. Terminada esda etapa, o pedido de registro à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) poderá ser feito. "A patente obtida nos Estados Unidos demonstra o nível de excelência do Instituto Butantan, no panorama internacional, comparável aos melhores centros do mundo, graças à competência demonstrada no desenvolvimento dessa vacina.

E mais um passo importante no processo de internacionalização do instituto", disse Dimas Tadeu Covas, diretor do Instituto Butantan. Um dos grandes avanços do Butantan no desenvolvimento da vacina foi a formulação liofilizada, que garante a estabilidade necessária para manter os vírus vivos em temperaturas não tão frias, permitindo seu armazenamento em sistemas de refrigeração comum, como geladeiras, além de aumentar o periodo de validade da vacina (um ano).