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O Povo

Explosão no espaço e destrução na Terra

Publicado em 01 maio 2005

Explosões no espaço podem ter iniciado a extinção da vida na Terra. A hipótese foi lançada por um estudo que acaba de ser divulgado, feito por cientistas da Nasa, a agência espacial norte-americana, e da Universidade do Kansas, nos Estados Unidos.
De acordo com os pesquisadores, a destruição em massa ocorrida há cerca de 450 milhões de anos pode ter sido disparada pela gigantesca quantidade de raios gama emitida pela explosão de uma estrela. O fenômeno é a mais poderosa explosão conhecida.
A base da teoria é suportada por uma abordagem conhecida como modelagem atmosférica, por meio da qual foi calculado que a radiação gama da explosão estelar, que teria atingido a Terra por dez segundos, seria suficiente para acabar com metade da camada de ozônio do planeta. Os dados utilizados na análise foram obtidos a partir do observatório espacial Swift, lançado em novembro de 2004 para auxiliar no estudo de emissões de raios gama.
Como, de acordo com o estudo, a recuperação da proteção levaria cerca de cinco anos, os raios ultravioleta emitidos pelo Sol teriam sido responsáveis pela destruição da maior parte da vida existente na Terra - basicamente plantas - e próxima à superfície de oceanos e lagos - animais e plânctons -, afetando grandemente a cadeia alimentar.
Explosões de raios gama na Via-Láctea são raras, mas os cientistas norte-americanos estimam que pelo menos uma delas teria atingido a Terra no último bilhão de anos. Estima-se que a vida no planeta tenha surgido há 3,5 bilhões de anos. ''Uma explosão de raios gama com origem a menos de 6 mil anos-luz da Terra teria um efeito devastador na vida do planeta'', afirma Adrian Melott, do Departamento de Física e Astronomia da Universidade do Kansas, em comunicado da Nasa.
''Não sabemos exatamente quando o fenômeno teria ocorrido, mas estamos certos de que ele ocorreu - e que deixou a sua marca. A informação mais surpreendente resultante do estudo foi descobrir que apenas dez segundos de exposição àquela radiação pode ter causado anos de destruição à camada de ozônio'', disse Melott. Os resultados da pesquisa serão publicadas no periódico Astrophysical Journal Letters, em artigo que traz como primeiro autor Brian Thomas, da Universidade do Kansas.

(Agência Fapesp)