Notícia

Jornal do Brasil

Experiências com animais

Publicado em 10 fevereiro 1996

BRASÍLIA - A deputada federal Vanessa Felipe (PSDB), relatora do projeto de lei do deputado Sérgio Arouca (PPS) - que prevê a criação de um órgão para exercer controle sobre a utilização de animais em experiências científicas - convocará, em Brasília, uma audiência pública para ouvir todas as partes interessadas na elaboração do projeto. Segundo Vanessa, há um desequilíbrio no órgão criado pelo projeto original do deputado, composto quase que integralmente por representantes da comunidade científica, deixando em segundo plano as entidades protetoras de animais. A deputada diz que o projeto de Arouca prevê a criação de um órgão chamado Sistema Nacional de Controle de Animais em Laboratório (Sinalab), cuja maior falha está em não separar os diferentes tipos de experiência e de animais caso a caso. A Academia Brasileira de Ciência, junto à Sociedade Protetora dos Animais, apresentou um anteprojeto criando o Conselho Nacional de Controle de Experiência Animal (Concea), em moldes semelhantes aos do Sinalab. "O segundo projeto tem o mesmo problema do primeiro, e as entidades de proteção animal ocupam espaço pequeno. Não pretendo criar obstáculo à atividade científica, mas encontrar a forma mais justa possível, ouvindo a todos", disse Vanessa. "O ponto fundamental, em que todas as partes concordam, é a necessidade de se criar esse órgão de controle, como existe nos países mais desenvolvidos. Há muitos pormenores, como a questão da importação de animais. Deve-se analisar caso a caso", concluiu Vanessa. Superpopulação pode gerar fome Se não houver um controle imediato da explosão demográfica mundial, a própria natureza poderá se encarregar da questão, proporcionando remédios drásticos como fome e doenças. Essa foi a conclusão dos cientistas reunidos no encontro da Associação Americana para Progresso da Ciência (AAAS), em Baltimore. Segundo David Pimental, da Universidade de Cornell, o planeta ganha cerca de 250 mil pessoas por dia. Pesquisa feita por sua equipe, intitulada Impacto do crescimento da população nas reservas alimentares e no meio ambiente, a Terra só suportaria 2 bilhões de pessoas. O mundo tem hoje quase 6 bilhões, número que deve duplicarem 50 ou 60 anos. Isso significa que um em cada quatro indivíduos estará desnutrido ou vulnerável a doenças. Glúten pode desenvolver problemas neurológicos Pessoas com doenças neurológicas, como falta de coordenação motora ou fraqueza muscular, podem estar precisando avaliar sua alimentação. Médicos ingleses descobriram fortes ligações entre esses distúrbios e a sensibilidade ao glúten, encontrado no trigo, no centeio e na cevada. Marios Hadjivassiliou, do Royal Hallamshire Hospital, em Sheffield, testou voluntários com sintomas neurológicos não diagnosticados e descobriu que 57% tinham anticorpos à gliadina, um componente do glúten. "O próximo passo é eliminar esses anticorpos das pessoas, adotando uma dieta sem glúten, e verificar o que acontece com o problema neurológico", disse Hadjivassiliou.