Notícia

Gazeta de Ribeirão online

Experiência inédita

Publicado em 20 maio 2007

Equipe de especialistas vai reforçar atendimento em UBSs e do Programa Saúde da Família na Zona Oeste de Ribeirão

O Núcleo de Saúde da Família 3, localizado no Sumarezinho, Zona Oeste de Ribeirão Preto, recebeu o reforço, inédito, de uma equipe de nove especialistas, chamada equipe matricial, para fortalecer a atenção básica. A equipe é composta de especialistas nas áreas de ortopedia, neurologia, fisioterapia, psicologia, dermatologia e oftalmologia, entre outras.
Esses especialistas vão apoiar o trabalho das equipes do Programa Saúde da Família (PSF), composta, cada uma delas, por um médico generalista, um enfermeiro, dois auxiliares de enfermagem e cinco agentes comunitários.
O projeto para criar a equipe matricial, que já está em prática, recebeu o aporte de R$ 400 mil da Fundação Waldemar Pessoa e tem o apoio do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).
Segundo Maria do Carmo Caccia-Bava, docente de Saúde Pública da Faculdade de Medicina da USP, o objetivo dessa experiência é aumentar o grau de resolutividade dos problemas de saúde na região do Núcleo de Saúde da Família 3, que abrange cerca de 20 mil pessoas no Sumarezinho.
A idéia, diz Maria do Carmo, é resolver na fase inicial os problemas de saúde da população atendida e evitar, assim, que os pacientes procurem atendimento em outros locais, como hospitais, sobrecarregando o serviço.
Os profissionais da equipe matricial vão atuar como consultores, diz Maria do Carmo. "Quando o médico generalista tiver alguma dúvida, ele consulta o especialista. Somente serão encaminhados ao Complexo Regulador os casos que necessitam de atendimento de alta complexidade."
Segundo relatório do ex-secretário de Saúde e professor da USP José Sebastião dos Santos, com base em dados de 2004, Ribeirão precisa melhorar a eficácia e a eficiência de sua atenção básica.
A proporção de consultas médicas sugerida pelo SUS (Sistema Único de Saúde) é de 63% para atenção básica, 22% para especializada, e 15% para urgência. Em Ribeirão, diz o relatório, os percentuais estão distribuídos em 33,48% de atenção básica, 37,26% de atendimentos especializados e 29,24% nas unidades de emergência.
O fortalecimento da atenção básica, proporcionado pela equipe matricial, envolve o Programa Saúde da Família e Unidades Básicas de Saúde (UBSs) tradicionais. "Vão ser identificadas as necessidades, as demandas e o que chega às UBSs e como essa realidade é trabalhada. E também o tipo de apoio que as UBSs necesitam dos especialistas para se aumentar o grau de resolutividade", diz Maria do Carmo.
Ainda segundo a professora da USP, a experiência com a equipe matricial vai servir de modelo de assistência à saúde.

Programa está lento
O Programa Saúde da Família, que existe em Ribeirão Preto desde 1999, enfrenta problemas por falta de verba e dificuldade de encontrar, no mercado, médicos generalistas. A Faculdade de Medicina da USP forma, todos os anos, somente dez médicos generalistas.
O Programa Saúde da Família cobre somente 12,8% da população de Ribeirão, segundo o médico Oswaldo Cruz Franco, secretário municipal de Saúde. O ideal é que estivesse dando cobertura para pelo menos 50% da população.
O programa agora tem uma dificuldade adicional, decorrente de uma emenda constitucional, de número 51, que obriga a contratação, por concurso, de agentes comunitários pelo município, Estado ou União. Em Ribeirão os agentes comunitários são contratados pela CLT.