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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Experiência de alunos da Unicamp na China eleva expectativa de intercâmbio

Publicado em 30 setembro 2009

Isabel Gardenal

O Programa Top China Santander Universidades proporcionou a cinco alunos da Unicamp a oportunidade de desenvolver um intercâmbio de 21 dias na China, na Jiao Tong University, com outros 70 estudantes. A professora do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam), Leila da Costa Ferreira, que acompanhou o grupo, foi quem realizou a abertura das atividades acadêmicas tratando do tema meio ambiente, mudanças climáticas e ciências da vida, que teve ainda outros brasileiros. O programa ofereceu aos selecionados a participação em um minicurso com duração de três semanas e em atividades de pesquisa conjunta.

O pensamento que prevaleceu após o retorno do intercâmbio foi a intenção de voltar para estudar melhor o país ou ingressar em novas possibilidades de intercâmbio. Participaram do Programa, no período de 23 de julho a 15 de agosto, os estudantes Fernanda Oliveira (Instituto de Biologia - IB, Cinthia Galindo (InstitutoG), José Tarcísio Costa (IFGW), Caíque Knothe (FEM) e Nádia Leão (FEA).

Segundo a professora Leila, o Brasil foi provavelmente o país escolhido pelos chineses justamente pela questão ambiental, como detentor que é do maior biota do planeta. A China é um dos países mais poluídos do mundo. "Das 20 cidades mais poluídas, 16 são chinesas", lembrou Cinthia Galindo, uma das estudantes contempladas pelo programa. José Tarcísio Costa revelou que existe inclusive uma estatística no país para contar o número de dias azuis no ano, evento tão raro quanto imprevisível.

O binômio "população numerosa" e "consumo alto", enfatizou Leila, é uma conjunção complicada. "A China tem uma população com 1,3 bilhão de habitantes e também muito consumista, com a abertura ao capitalismo. Isso do ponto de vista ambiental é difícil e do ponto de vista político ainda observa-se uma certa resistência em modificar este quadro", disse. A China, afirmou José Tarcísio, entende que deve, antes, gerar mais crescimento econômico. A China, ao lado do Brasil, integra os países emergentes do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China).

A professora Leila garantiu que foram muito produtivas as suas mediações e que ter abordado temas como a questão ambiental e as mudanças ambientais globais na América Latina, bem como as políticas ambientais brasileiras, suscitou inúmeras perguntas dos chineses, até então muito comedidos nas indagações que realizavam durante o minicurso a outros professores. "Foi uma experiência riquíssima para eles e para nós, e o intercâmbio como um todo foi um banho de cultura", testemunhou.

Além das aulas, lecionadas em inglês, os alunos tiveram a oportunidade de aprender mandarim, a língua mais falada na China. Este aprendizado já começou no Brasil. A Coordenadoria de Relações Institucionais e Internacionais (Cori) providenciou um curso intensivo de 20 horas para os alunos, realizado no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp. Com as primeiras palavras na ponta da língua, ficou mais fácil, de acordo com os alunos, ganharem aceitação dos chineses. "Eles apreciam muito que outras pessoas queiram aprender o mandarim", disse Cinthia.

Os alunos estudaram bastante, mas nas horas livres puderam viajar para conhecer mais ainda a cultura chinesa. Foram para Suzhou, Wuzhen, Xían e Beijing (Pequim). Eles contaram que uma programação interessante foi um almoço que a Embaixada Brasileira em Beijing ofereceu ao grupo.

Para Cinthia Galindo, outro ponto marcante foi o trabalho de conclusão do curso desenvolvido com alunos chineses. "Trabalhamos juntos no projeto "Meio ambiente e sustentabilidade"", recordou. Na volta, Fernanda Oliveira fez um relato de sua experiência de intercâmbio para o seu grupo de extensão do Ipes. Como resultado também do intercâmbio, ela deve começar uma iniciação científica, orientada pela professora Leila. Com auxílio de bolsa Fapesp, que já foi solicitada, poderá dar prosseguimento a um projeto no programa de mudanças climáticas que, desde já, conta com o seu entusiasmo.

Os participantes do Programa Top China tiveram seus custos totalmente cobertos pelo Banco Santander e receberam auxílio adicional no valor de US$ 300. "Este intercâmbio caiu do céu", observou Fernanda. "Até agora tenho mantido contato com os chineses", comentou José Tarcísio. "Temos muitas novidades para contar sobre a China, inclusive comecei um curso de extensão em mandarim no IEL, que vai até o final do ano", festejou Cinthia. "Os nossos alunos se diferenciaram dos demais, pela disponibilidade, pelo aprendizado e mesmo pela simpatia. Senti-me muito orgulhosa deles. Parabéns para a Unicamp", destacou Leila.