Notícia

JC e-mail

Experiência brasileira em etanol será apresentada na Conferência Internacional sobre Biocombustíveis

Publicado em 11 novembro 2008

Com 27 bilhões de litros previstos para a safra 2007/2008, o Brasil é o maior produtor mundial de etanol feito a partir da cana-de-açúcar. Por sua excelência, o país sediará a Conferência Internacional sobre Biocombustíveis: Os biocombustíveis como vetor do desenvolvimento sustentável, que será realizada em São Paulo/SP, de 17 a 21 deste mês.

Governo federal e especialistas do setor vão apresentar e debater a experiência brasileira de quase 35 anos no uso e na produção do etanol. Uma delegação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) participará da conferência, ao lado de representantes de quase 50 países.

A conferência, promovida pelo governo federal, contribuirá para a discussão internacional sobre os desafios e oportunidades apresentados pelos biocombustíveis. Temas relacionados, como segurança energética, produção e uso sustentáveis, agricultura, processamento industrial também serão debatidos, além de questões de especificações e padrões técnicos, comércio internacional, mudança do clima e o futuro dos biocombustíveis.

O evento terá dois segmentos: um conjunto de cinco sessões plenárias, abertas ao público nos dias 17, 18 e 19, e o segmento intergovernamental de alto nível, nos dias 20 e 21, com participação o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes.

ABC participa em sessão plenária

Em parceria com o governo brasileiro, com a Universidade de São Paulo (USP) e com a Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), a Academia Brasileira de Ciências organizará uma das cinco Sessões Especiais do evento, que discutirá o papel da pesquisa científica na área dos biocombustíveis, no dia 18 de novembro, das 18h às 20h.

Seis especialistas participarão do debate: João Alziro Herz da Jornada (moderador), Carlos Henrique de Brito Cruz, ambos da ABC, e os convidados Mohamed Hassan (relator; matemático e diretor-executivo da TWAS), Edward A. Hiler (engenheiro agrícola da Texas University), Richard Murphy (do Depto. de Ciências Biológicas do Imperial College of Science, Technology & Medicine, em Londres) e Udipi Shrinivasa (engenheiro aeronáutico do Indian Institute of Science).

Segundo o chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Academia, Paulo de Góes Filho, doutor em Antropologia Social que dedica seus estudos às áreas de Política Externa e Relações Internacionais, a participação da instituição no encontro é um marco extremamente importante.

“É extremamente relevante o convite que a ABC recebeu para organizar uma mesa-redonda durante o evento, convocada pelo presidente da República”, afirma. O anúncio de que o Brasil iria sediar a conferência foi proferido pelo presidente durante a 62ª sessão da Assembléia Geral das Nações Unidas em Nova York, nos Estados Unidos, em setembro do ano passado.

Góes garante que a ABC se prepara com afinco para produzir informações científicas confiáveis sobre o impacto dos biocombustíveis. De acordo com o antropólogo, o tema central em debate é o conflito entre a utilização de terras para o cultivo de alimentos em oposição à produção dos biocombustíveis. “Alguns países, como o México, por exemplo, são muito sensíveis a este problema, porque atribuem o aumento de preço do milho à sua utilização para fazer biocombustíveis”, justifica.

As Sessões Plenárias discutirão cinco diferentes temas, lideradas por oito especialistas. Os assuntos desenvolvidos serão:

- Segurança Energética: transição da matriz, diversificação das fontes e universalização de acesso;

- Mudança do Clima: mitigação das emissões de gases do efeito estufa, mudança de uso da terra e análise comparativa do ciclo de vida;

- Sustentabilidade: segurança alimentar, geração de renda e desafios para os ecossistemas;

- Inovação: pesquisa e desenvolvimento, biocombustíveis de primeira e segunda geração e oportunidades para a ciência e tecnologia;

- Mercado Internacional: regras comerciais, questões técnicas e padrões sócio-ambientais.

Matriz limpa e renovável

A cana-de-açúcar responde por 16% da matriz energética brasileira, uma das mais limpas e renováveis do mundo, atrás apenas do petróleo e derivados (37%). Da planta aproveita-se o caldo, o bagaço e a palha da cana para produção de açúcar, etanol, adubo e bioeletricidade, com vantagem de reduzir impactos ambientais e gerar créditos de carbono.

Etanol como commodity

De acordo com a Secretaria de Produção e Agroenergia (SPAE) do Mapa, os investimentos externos no setor industrial do açúcar e do álcool brasileiro estão em torno de 15%. O consumo do etanol já é maior que o da gasolina e os veículos brasileiros flex fuel permitem a utilização de até 100% do etanol hidratado.

O álcool anidro é misturado, atualmente, à gasolina na proporção de 25%. O Brasil tem frota estimada em mais de seis milhões de veículos flex fuel. Há previsão de investimentos de R$ 30 bilhões na instalação de novas unidades produtoras até 2012. O país, desde 1925, faz testes utilizando etanol misturado à gasolina.

A intenção do governo é fortalecer a cooperação internacional, difundir a experiência nacional com os biocombustíveis, transmitir conhecimento e tecnologia para desta forma, criar condições para que outros países também produzam etanol de forma sustentável.

Assim, o biocombustível se consolidará como uma commodity que gera investimentos não só no Brasil, mas também em países parceiros do Caribe, África e Ásia.

(Informações da Secretaria de Imprensa da Presidência da República e da ABC)