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MCTIC - Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações

Experiência brasileira é destaque em evento internacional de hematologia

Publicado em 04 dezembro 2009

Os avanços da medicina na área de hematologia serão conhecidos de amanhã (5) até terça-feira (8), em New Orleans , Estados Unidos. Nos três dias, cerca de 20 mil pessoas participam do 51º Encontro da Sociedade Americana de Hematologia.

O professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo, Eduardo Rego, faz parte do seleto grupo de seis pesquisadores escolhidos entre 6.300 inscritos para apresentar o seu trabalho no evento. Bolsista em produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT) vai relatar, em sessão plenária, no domingo (6), detalhes sobre a implantação uma Rede Internacional para tratamento de pacientes com leucemia.

A Sociedade Americana de Hematologia destinou um dia do encontro para a apresentação das ações mais relevantes desenvolvidas na área recentemente.  De acordo com o especialista, a presença de um trabalho brasileiro na ocasião é um marco para o País, em especial, para mostrar a criação e o desempenho do consórcio, por meio do painel “Melhorando os resultados do tratamento da leucemia Promielocítica aguda em países em desenvolvimento através de uma Rede Cooperativa Internacional”.

A Leucemia promielocítica aguda (LPA) é um subtipo da leucemia mielóide aguda (LMA), um tipo de câncer do sangue e medula óssea. Na LPA, ocorre uma acumulação anormal de granulócitos imaturos chamados de promielócitos. O acúmulo reduz a produção normal de glóbulos vermelhos e plaquetas, resultando em anemia e trombocitopenia, respectivamente.

Rego ressalta que a doença, embora seja grave, tem uma taxa de cura muito alta nos países em desenvolvimento; mas, infelizmente no Brasil e nos países da América Latina, em geral, não se atingia os mesmos resultados observados na Europa e nos Estados Unidos.

Então foi criado o consórcio com a participação do Brasil, do México e do Uruguai na intenção de reverter o quadro. “Por meio de uma proposta muito simples de organização, de tratamento e de condução clínica dos casos conseguimos, num período curto de quatro anos, nos aproximarmos dos mesmos índices e resultados de sobrevida dos países desenvolvidos”, afirma Rego.

O trabalho acompanha o desenvolvimento da leucemia promielocítica em 114 pacientes há 18 meses. Rego esclarece que o artigo sobre a experiência só deve ser publicado em revistas estrangeiras após a confirmação dos resultados e verificação de uma curva mais estável de sobrevida dos pacientes. Para isso, o acompanhamento deve se estender por mais seis meses a um ano 

No Brasil, a rede tem a cooperação de instituições como o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (laboratório central e responsável pela coordenadoria nacional), da Fundação Hemope (Pernambuco), Hospital das Clínicas de Belo Horizonte (Minas Gerais), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Santa Casa (São Paulo), Hospital das Clínicas do Paraná e Hospital das Clínicas de Porto Alegre.

Reconhecimento

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, encaminhou mensagem de congratulação ao pesquisador “pela conquista decorrente de seus méritos pessoais, mas que reflete também os avanços obtidos pela ciência e tecnologia brasileira nos anos recentes”.

Rego é também coordenador de saúde da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), diretor científico da Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto, um dos principais pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Células-Tronco e Terapia Celular (INCTC), membro da diretoria da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH) e membro do Comitê de membros Internacionais da Sociedade Americana de hematologia (IMC-ASH)

O especialista é reconhecido na área pelo desenvolvimento de pesquisas sobre a gênese das neoplasias hematológicas, em particular, das leucemias agudas. Têm especial relevância os estudos que publicou sobre as bases moleculares da leucemia promielocítica aguda usando modelos de animais geneticamente modificados. Em seu trabalho, apresentou evidências do envolvimento de uma proteína no desenvolvimento do câncer linfático.