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Experiência alemã

Publicado em 18 agosto 2011

Agência FAPESP – Com o objetivo de promover a pesquisa de alto nível e a excelência das universidades e instituições de pesquisa da Alemanha, o governo do país lançou em 2005 a German Excellence Initiative.

Nesta quarta-feira (17/08), Matthias Kleiner, presidente da Fundação Alemã de Pesquisa (Deutsche Forschungsgemeinscharf, DFG), apresentou à comunidade científica de São Paulo, na sede da FAPESP, uma conferência sobre o programa, que concluiu sua primeira fase com investimentos de 1,9 bilhão de euros e foi considerado um sucesso.

Após a conferência, Kleiner e Celso Lafer, presidente da FAPESP, assinaram a renovação de um acordo de colaboração firmado pelas duas fundações em 2006, com vigência de cinco anos.

A cooperação apoia a realização de projetos conjuntos em todos os campos da ciência. Os projetos devem necessariamente envolver um pesquisador principal em São Paulo e outro na Alemanha. Os projetos são selecionados por avaliadores de ambos os países.

De acordo com Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, a cooperação com a DFG nos últimos anos permitiu a celebração de um bom número de projetos de pesquisa. “A colaboração vai muito bem e temos todo o interesse em renová-la. É importante para a FAPESP gerar oportunidades para que os pesquisadores de São Paulo aumentem sua rede de cooperação internacional”, disse.

Lafer destacou o caráter estratégico do acordo. “A FAPESP participa muito ativamente de um grande esforço de internacionalização da pesquisa brasileira. Essa mobilização se faz por meio de um esforço cooperativo com instituições proeminentes como a DFG”, disse.

Segundo Kleiner, a German Excellence Initiative é uma parte importante do trabalho do governo da Alemanha e da DFG. Ele destacou a importância de mostrar às comunidades científicas de outros países o trabalho desenvolvido pela instituição em diferentes campos.

“É muito importante para ambos os lados. Para nós, é fundamental discutir resultados com nossos parceiros. Queremos saber qual a opinião da FAPESP sobre o que estamos fazendo, como melhorar o nosso trabalho e, principalmente, sobre como poderíamos cooperar em diferentes campos”, disse à Agência FAPESP.

Segundo Kleiner, experiências brasileiras de financiamento à pesquisa foram aproveitadas para a concepção de determinadas linhas de fomento da iniciativa alemã.

“Em 2005, estive no Brasil e aprendi bastante sobre o financiamento de centros de excelência daqui. Levei essa informação e esse conhecimento do Brasil para a Alemanha. Esse intercâmbio em bases iguais é o que eu gostaria de promover e intensificar”, afirmou.

Kleiner admitiu que o ambiente de competição saudável entre as universidades alemãs favoreceu o sucesso do programa, mas iniciativas semelhantes também podem ser implementadas em outras realidades, contanto que as instituições de pesquisa tenham autonomia.

“Observando o cenário científico internacional, vemos que diferentes países têm esse tipo de iniciativa. Elas são diferentes, porque os países também o são. Mas um ponto em comum a todos é que as decisões são tomadas por comitês científicos e, portanto, elas não são orientadas pela política e sim pela ciência. É possível aproveitar experiências, por isso acho que vale a pena fazer esse intercâmbio entre as várias maneiras existentes para promover a ciência”, disse.

Linhas de fomento

O presidente da DFG explicou que, das cerca de 130 universidades na Alemanha, um terço delas recebeu recursos da German Excellence Initiative na primeira fase, entre 2006 e 2011. As chamadas de propostas para a segunda fase – que irá de 2012 a 2017 – estão abertas até o dia 1º de setembro. Na segunda fase, os investimentos serão de 2,7 bilhões de euros.

“O programa tem o objetivo de aprimorar a excelência das universidades e instituições de pesquisa alemãs, tornando o país mais atraente para a produção de ciência e aumentando sua competitividade internacional”, disse.

A iniciativa possui três linhas de fomento: escolas de pós-graduação para estímulo de jovens cientistas; polos de excelência para promover pesquisa de alto nível; e estratégias institucionais para promover pesquisa de alto nível na universidade.

O programa é conduzido em parceria entre a DFG e o Conselho Alemão de Ciências e Humanidades, que é responsável especialmente pela terceira linha de fomento.

“O programa envolveu, em sua primeira fase, 39 escolas de pós-graduação – que receberam cerca de 1 milhão de euros por ano cada uma –, 37 polos de excelência – cada um recebeu aproximadamente 6,5 milhões de euros anuais – e nove estratégias institucionais para promoção da pesquisa de ponta na universidade, que receberam em média 12 milhões de euros por ano”, disse Kleiner.

As linhas de fomento de escolas de pós-graduação e núcleos de excelência obtiveram como resultado a criação de 2,2 mil novos postos de trabalho para doutores, 660 para pós-doutores, 70 para professores juniores e 110 para professores seniores.

As estratégias institucionais geraram, segundo o presidente da DFG, 850 postos para pesquisadores em início de carreira e 145 cargos para professores juniores e seniores.

“Além desses resultados, exercitamos uma dinâmica muito positiva na organização de pesquisa. Os comitês decisórios, que têm maioria de cientistas, conseguiram um diálogo surpreendentemente frutífero com os membros da classe política”, disse Kleiner.