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Expedição marítima parte de Santos para analisar mudanças climáticas

Publicado em 23 abril 2018

Analisar os impactos das mudanças climáticas no Atlântico Sul e colher informações sobre a água do mar nessa região estão entre os objetivos de uma expedição científica que partiu do Porto de Santos, na última sexta-feira (20). O projeto reúne 20 especialistas brasileiros e estrangeiros, que deixaram o complexo marítimo para uma viagem de 17 dias a bordo do navio de pesquisas oceanográficas

Alpha Crucis, do Instituto Oceanográfico da Universidade Federal de São Paulo (IOUSP). A previsão é que cheguem nesta segunda-feira (23) ao primeiro ponto de pesquisa.

A expedição faz parte do projeto Sambar e é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Os cruzeiros do Alpha Crucis ao Sul do País começaram em 2012 e acontecem duas vezes por ano. Nessas viagens são coletadas e comparadas informações como temperatura, salinidade, concentração de carbono,pressão e oxigênio da água do mar. Esses dados são importantes para prever a reação dos oceanos diante da interferência humana dos últimos anos.

Entre os brasileiros estão pesquisadores do IOUSP, da Universidade Federal de Rio Grande, da Universidade Federal Fluminense, da Universidade Federal do Ceará e da Universidade Federal da Bahia. E ainda há cientistas da Argentina, do Uruguai e dos Estados Unidos.

“O oceano, pela grande quantidade de água e alto calor específico, é a memória térmica do planeta. O clima do planeta é totalmente controlado pela água do oceano”, afirmou o professor Edmo Campos, do IOUSP, responsável pelo projeto.

Os trabalhos acontecerão a cerca de 800 quilômetros da costa, em 28 locais definidos na direção do Chuí, na divisa do Brasil com o Uruguai. Lá, a profundidade gira em torno de 4,3 quilômetros (praticamente a extensão da Avenida Conselheiro Nébias, que vai do Centro até a orla de Santos). Segundo o docente, a equipe usa equipamentos da própria universidade e aparelhos cedidos

por pesquisadores norteamericanos – grandes interessados nas pesquisas no Atlântico Sul, pois os resultados poderão prever fenômenos climáticos no Hemisfério Norte.

Laboratórios

O Alpha Crucis conta com cinco laboratórios. Nessa viagem, quatro deles serão utilizados – os dois destinados às análises químicas da água do mar, como acidez, concentração de carbono e identificação de elementos e nutrientes; e os dois usados para estudar as propriedades físicas da água, como temperatura e salinidade. O quinto laboratório do navio é reservado para análises biológicas, que não serão feitas nesta viagem.

Para realizar esses testes, a equipe conta com um processo específico para captação da água.Ele utiliza 24 garrafas especiais, que coletam amostras em profundidades pré-determinadas pelos pesquisadores. “Temos um cabo de cinco mil metros de comprimento, feito de aço e com um núcleo condutor. Na ponta dele, há um instrumento que vai medindo propriedades como concentração

de sal, de oxigênio,temperatura, pressão e também a velocidade utilizando um perfilador acústico. Toda informação obtida é transmitida para bordo e uma série de computadores vai registrando para posterior análise”, explicou o pesquisador, chefe da expedição.

Campos também detalhou o processo de instalação e remoção de ecossondas, aparelhos com sensores que são depositados no fundo do oceano. Eles coletam informações e as armazenam durante um ano, até serem retiradas durante as viagens. Cada um custa cerca de US$120mil (R$409mil). Hoje, há seis e cossondas instaladas na região pesquisada. Nesta expedição, estão previstas a troca debaterias e a remoção de informações coletadas desses equipamentos. Segundo Campos, são necessárias cerca de seis horas para o processo. Isso inclui a estabilização da temperatura dos aparelhos, que normalmente são negativas.

E resultados já aparecem, diz o professor. “O sistema está começando a demonstrar impactos de coisas que acontecem a milhares de quilômetros ao Sul. Se nós entendermos melhor o que está acontecendo no Atlântico nessa região, vamos estar fornecendo condições para que as previsões do clima não só no Brasil, mas no planeta como um todo, sejam mais confiáveis e apuradas. Isso é uma contribuição importante porque, se você faz uma previsão climática com possibilidade de erro de 10%, em vez de 20%, significa que o dispêndio de recursos para precaver e eventualmente se adaptar são menores”, destacou Edmo Campos.