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Agência Gestão CT&I

Expansão da cana aumentou PIB municipal na região Centro-Sul

Publicado em 01 junho 2016

O crescimento acelerado da produção de cana-de-açúcar, açúcar e etanol entre os anos 2000 e 2008 no Centro-Sul brasileiro aumentou em pelo menos R$ 1 mil o Produto Interno Bruto (PIB) per capita médio dos municípios da região. A informação é de um estudo de pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Londrina (UEL), publicado no periódico científico internacional Biomass and Bioenergy.

O trabalho focou na indústria dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás, além do Distrito Federal, cujas produções representam aproximadamente 84% da nacional. A partir do ano 2000, impulsionada pelas demandas dos mercados interno e externo, iniciou-se uma aceleração acentuada da taxa de crescimento da indústria da cana-de-açúcar no Brasil, cuja produção cresceu 124,6% até 2008, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentados no estudo.

“A existência de uma planta de etanol no município eleva o PIB médio per capita no ano de instalação da usina em US$ 1.098, enquanto o dos 15 municípios mais próximos têm acréscimo médio de US$ 475. Os efeitos positivos também são observados ao longo do tempo. Por exemplo, após 10 anos de instalação da planta de açúcar ou de etanol, o aumento no PIB médio per capita é de US$ 1.028 no próprio município e de US$ 324 para os 15 municípios mais próximos”, afirmou Márcia Azanha de Moraes, do Departamento de Economia, Sociologia e Administração da Esalq-USP.

A quantidade de terras dedicadas ao cultivo também teve acréscimo no período, de 68,2%. Isso, dizem os pesquisadores, levou à construção de novas usinas e ao aumento das exportações de açúcar e etanol, que cresceram 199,4% e 2152,3%, respectivamente. Os ganhos cambiais da exportação de açúcar e álcool representassem juntos 10,4% das exportações de todo o setor do agronegócio brasileiro (8,5% para o açúcar e 1,9% para o etanol).

Os pesquisadores concluem que a produção em larga escala de etanol e de açúcar a partir de cana-de-açúcar no Brasil tem efeitos socioeconômicos positivos na região Centro-Sul, percebidos pelo aumento do PIB municipal per capita médio. Para Moraes, “os resultados do estudo podem auxiliar no desenho da política energética brasileira, visto que, além dos impactos ambientais positivos da produção de etanol de cana, é importante considerar os efeitos positivos ao desenvolvimento regional”.

A pesquisa abrange variáveis ligadas à produção de açúcar e álcool, como a proporção da área agrícola, o papel da cana em relação a outras culturas e a presença de usinas, e outras variáveis não diretamente relacionadas, mas que impactam no PIB, como, por exemplo, a renda média dos trabalhadores. Foram considerados dados de todos os 2.363 municípios dos estados estudados, obtidos de fontes como o IBGE e a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho e Previdência Social, entre outras.

 

(Agência Gestão CT&I, com informações da Agência Fapesp)