Notícia

Bem Mais Brasília

Expansão aumenta risco de faltar água na macrometrópole paulista

Publicado em 28 maio 2019

Por Ludmilla Souza, repórter da Agência Brasil

Enem tem 5,1 milhões de inscritos confirmados

 

Ministério da Agricultura registra produtores de cachaça e aguardente

STJ: morador inadimplente não pode sofrer restrições no condomínio

Taxa de desemprego na Grande São Paulo aumenta pelo 2º mês seguido

Expansão aumenta risco de faltar água na macrometrópole paulista

Vale diz que chance de não ocorrer ruptura em Barão de Cocais é grande

Esfaqueamento em massa nas proximidades de Tóquio

Daniel Alves será o capitão da seleção na Copa América

Mega-Sena sorteia nesta quarta-feira prêmio acumulado de R$ 48 milhões

Malásia devolverá 3 mil toneladas de plástico aos países de origem

Prefeitura conclui demolição de prédio ameaçado de desabar na Muzema

Movimento quer usar turismo para preservar Mata Atlântica

Neymar sente desconforto no joelho em treino da seleção

CCJ da Câmara convoca Onyx para esclarecer decreto de porte de armas

IBGE anuncia redução dos questionários do Censo 2020

"Processo escabroso", diz Planalto sobre massacre em presídios

Senado aprova MP da reforma administrativa; texto segue para sanção

Ministério Público de Goiás oferece nona denúncia contra João de Deus

1/5

Por Ludmilla Souza. da Agência Brasil

Brasil | 28 de Maio de 2019 - 17:00h

Construções às margens da Represa Billings, um dos principais reservatórios de água da região metropolitana de São Paulo.

[Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil]

Estudo divulgado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) mostra que a expansão urbana desordenada da população de baixa renda na chamada macrometrópole paulista se estende para áreas de preservação ambiental, pondo em risco o abastecimento de água na região. Do total de 33 milhões de habitantes da macrometrópole paulista, 3,8 milhões vivem hoje em condições precárias.

Essa população está distribuída em 113 dos 174 municípios, que englobam as regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas, Baixada Santista, Sorocaba, Vale do Paraíba e Litoral Norte, além das aglomerações urbanas de Jundiaí, Piracicaba e Bragança Paulista.

A estimativa é que o território ocupado tenha 31,5 mil quilômetros e vem se expandindo em direção a áreas de mananciais e de preservação ambiental.

A ocupação urbana desordenada tem aumentado os riscos de escassez hídrica na região, que concentra 20% do patrimônio natural protegido do estado.

A avaliação foi feita por pesquisadores participantes do Fórum de Governança Ambiental da Macrometrópole Paulista, realizado em abril no Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP).

“Ao analisar a distribuição populacional na região, é possível identificar um padrão de ocupação disperso e descontrolado associado à renda. Há uma concentração de residências de pessoas de alta e média renda próximas aos principais centros urbanos, onde há disponibilidade de empregos e atividades de comércio, serviços, polos de alta tecnologia e infraestrutura de transporte. Já as moradias da população de baixa renda situam-se em assentamentos precários localizados, de modo espraiado, em áreas de maior fragilidade e de preservação ambiental”, disse Angélica Benatti Alvim, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

De acordo com a pesquisadora, as principais regiões em que tem sido observado o avanço de aglomerados urbanos precários em áreas de preservação ambiental são as metropolitanas de São Paulo, Campinas e Baixada Santista.

A ocupação desordenada dos mananciais contribui para maior escassez da água nas regiões mais populosas, especialmente na Região Metropolitana de São Paulo, e coloca também em risco a sustentabilidade de regiões vizinhas à macrometrópole, como é o caso da região do Vale do Ribeira. Segundo estudos da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), as áreas mais populosas dessas regiões provavelmente vão intensificar o empréstimo de água de outras regiões em um futuro próximo, informou Angélica.

“Também percebemos que áreas próximas à Serra do Japi, em Jundiaí, no Vale do Paraíba e no litoral norte de São Paulo têm sido pressionadas pela ocupação desordenada”, disse.

Para a professora, a ocupação desordenada impacta a qualidade da água que já é pouca para atender tanta gente. “Nós temos um problema de quantidade e se a gente tem um problema de ocupação desordenada nós afetamos a qualidade essa água e isso já está sendo cada vez mais problemático. A mudança climática tem a ver com a escassez hídrica, mas se a gente afeta a qualidade, pelo processo de ocupação desordenada, combinando esses dois conceitos nós vamos afetar a disponibilidade, e a perspectiva é de caos.”