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Blog Brasil Acadêmico

#existepesquisanobrasil inunda as mídias sociais

Publicado em 11 agosto 2018

Com a hashtag #existepesquisanobrasil a ciência brasileira resiste aos cortes no investimento estatal em pesquisa no Brasil e divulga a produção científica nacional.

Indignado com uma declaração do candidato à presidência da república Jair Bolsonaro (PSL) em entrevista ao Roda Viva da TV Cultura no dia 30 de julho, Alexandre Fioravante Siqueira, vulgo Alexandre Jaguar, pós-doutorando do Departamento de Raios Cósmicos e Cronologia (DRCC) do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW) e participante dos blogs de ciência da Unicamp, além de autor do blog "Programando Ciência" e de pesquisas que envolvem processamento de imagens para aplicação em geofísica, não gostou das palavras do candidato e escreveu um tuíte conclamando os pesquisadores a reagirem:

[accordion]Tuíte original[1/2] Tweeps, o @jairbolsonaro afirmou no @rodaviva que não temos pesquisa no Brasil. Convido a todos que divulguem suas pesquisas usando a hashtag #existepesquisanobr, explicando também porque elas são importantes. Sem briga, lacração (...) — Alexandre Jaguar (@alexdesiqueira) August 2, 2018Outros tuítes

#ExistePesquisaNoBR ????

Eu procuro exoplanetas, em particular planetas como o nosso ?? (Terra 2.0), usando os telescópios ?? @ESO.

Também estudo as propriedades fundamentais de estrelas (idade, temperatura, luminosidade, atividade magnética), e a evolução de nossa galáxia ?? pic.twitter.com/IMzBn2BYIf

— Jorge Melendez (@DrJorgeMelendez) August 3, 2018

#existepesquisanobr e essa é uma amostra da rede de pessoas tuitando sobre.

É interessante observar como uma rede de pesquisadores de diversas áreas se uniu em torno da hashtag (inclusive sociais e exatas!).

Segue na thread. pic.twitter.com/Y4ZAYKEEN9

— Felipe Soares (@felipebsoares) August 3, 2018

Atualmente, no doutorado, desenvolvo pesquisa visando compreender como a carga bacteriana existente no aparelho reprodutor feminino pode estar envolvida no desfecho gestacional prematuro #existepesquisanobr

— Mariana (@mari_lotr) August 4, 2018

Minha pesquisa consiste no estudo de biomarcadores que podem ser utilizados para o diagnóstico preliminar do câncer através da análise da saliva #existepesquisanobr #MinhaPesquisaCAPES

— Bruno Messi Borja (@brunomessi__) August 3, 2018

#existepesquisanobr e eu passei um ano estudando os efeitos dos agrotóxicos na audição dos trabalhadores rurais, diagnosticando perda auditiva na maioria quase absoluta dos casos! Barra as pesquisas, e o br vai continuar afirmando que agrotóxicos não fazem mal! ??

— gi mas nao de gisele (@eumechamophoebe) August 3, 2018

Minha pesquisa é sobre o possível impacto das nanopartículas utilizadas na Medicina Nuclear que são liberadas no sistema de esgoto e sua influência nos mecanismos de sorção de metais traço. #existepesquisanobr

— Michele Silva (@xelymary) August 3, 2018

#existepesquisanobr minha pesquisa é sobre a produção de um novo material usado na remoção de mancha de petróleo em água. é um material barato e fácil de ser produzido, que pode ser reutilizado e tem um alto poder de remoção. e mais: o petróleo pode ser recuperado!

— sapataozinha topzeira (@luanasluas) August 3, 2018

Muitos tuítes também foram escrito em inglês, o que acabou angariando apoio de cientistas estrangeiros.

Devastated to know that brazilian gov is planning to cut ~100k grad student scholarships and grants from research! #existepesquisanobr

— Camila de Queiroz (@CamiladeQueiro5) August 3, 2018

A Biblioteca Virtual da FAPESP apresenta mais de 11 mil registros contendo informações sobre Bolsas no Exterior financiadas pela Fundação, em todas as áreas do conhecimento, a partir de 1992. Conheça todas as bolsas financiadas https://t.co/KjXElPH8uM #existepesquisanobr pic.twitter.com/RUNllhQ92G

— Bib Virtual FAPESP (@BVFAPESP) August 3, 2018

Inspirados a contar sobre o trabalho que desenvolvem, os pesquisadores brazucas reagiram como uma onda de protesto na forma de disseminação científica viral. A hashtag chegou a ficar em quarto lugar entre os assuntos mais comentados do Twitter no mundo e em segundo lugar no Brasil. No dia 2 de agosto, só perdeu nos "trending topics" do Brasil para #AbortoÉCrime.

Estou levantando o clima organizacional da Uber. Veja a sondagem prévia do perfil dos uberistas. https://t.co/H75DRbXOFo #existepesquisanobr #existepesquisanobrasil

— BrasilAcademico (@BrasilAcademico) August 11, 2018

Coincidentemente, a publicação do ofício da Capes, direcionado ao Ministério da Educação, sobre a possível interrupção do pagamento de bolsas aos bolsistas da pós-graduação, ocorreu no mesmo dia. Foi como botar fogo no rastilho de pólvora. A hashtag viralizou a ponto de ficar em quarto lugar entre os assuntos mais comentados do Twitter no mundo e em segundo lugar no Brasil. No dia 2 de agosto, só perdeu nos "trending topics" do Brasil para #AbortoÉCrime.

Toda pesquisa é relevante!#existepesquisanobr pic.twitter.com/zBWQpGYKlh

— Renata Brandt (@renatabrandt) August 8, 2018

Na noite do primeiro debate de presidenciáveis na Rede Bandeirantes, dia 9 de agosto, a hashtag #existepesquisanobr continuava no Twitter e usada em conjunto com #DebateBand, o tópico serviu para cobrar dos candidatos uma posição sobre o financiamento à pesquisa no Brasil. Mais cedo ainda, vários tuítes trouxeram a hashtag em comentários sobre mais uma ameaça de cortes de bolsas, desta vez vinculados ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

A maior dificuldade dessa tag #ExistepesquisanoBrasil vai ser convencer as pessoas de que pesquisas de letras, artes e humanas também tem valor, apesar de não estarem vinculadas a questões da saúde ou da tecnologia, por exemplo.

— neretú soy yo (@LaaupEtc) August 3, 2018

Você é pesquisador ou não é pesquisador mas apoia a causa, divulgue e compartilhe a hashtag #existepesquisanobrasil. A ciência brasileira agradece.

Fontes e detalhes em https://t.co/Ikck7Qf043#existepesquisadornobr #ExistepesquisanoBrasil #ExistePesquisaNoBR pic.twitter.com/VDowUN597j

— Prof Alexandre Costa (@alexaraujoc) August 4, 2018