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NAFAU - Núcleo de Atenção Farmacêutica da Unifal - MG

Exercício Físico como forma de contribuição para a Saúde Mental

Publicado em 22 junho 2020

Por Núcleo de Atenção Farmacêutica da Unifal - MG

Você sabe o ‘porque’ o exercício físico combate o estresse e a depressão?

O número de casos de depressão tem aumentado mundialmente, desencadeando problemas mais graves, como o suicídio, o que torna urgente a compreensão de sua origem. Uma das constatações revela que o transtorno depressivo não ocorre por desequilíbrios neurais específicos, mas por uma série de mecanismos que envolvem diferentes partes do organismo humano.

Geralmente, o estresse é o primeiro ponto a ser lembrado nas discussões, porém isso não é suficiente para explicar o transtorno. Mas como o estresse leva à depressão? Tudo indica que isso ocorre por meio da inflamação no cérebro.

Desde 1989, Bullmore pesquisa sobre a relação da inflamação com o transtorno psiquiátrico. Em seus trabalhos, analisou dados de pacientes com depressão e percebeu níveis altos de inflamação no cérebro. "O estresse causa uma resposta inflamatória no corpo de animais e em humanos, como se o sistema imunológico estivesse preparando o corpo para responder a uma ameaça à sua sobrevivência”, detalhou.

Segundo Bullmore, outros cientistas também têm conduzido estudos relacionando inflamação e depressão, mostrando a facilidade com que proteínas conseguem entrar no cérebro, uma vulnerabilidade não considerada há pouco tempo. Mas como o exercício físico soluciona esse problema? Grande parte da população sabe que o exercício praticado com regularidade é bom para o corpo e para a saúde mental.

O exercício físico regular pode ter um impacto profundamente positivo na depressão, ansiedade, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), alivia o estresse, melhora a memória e o estado de humor, ajuda a dormir melhor, entre outros benefícios.

Apesar dos inúmeros benefícios que os exercícios físicos proporcionam, muitas vezes, nós não nos sentimos motivados a incorporá-lo à vida cotidiana, pois a prática exige esforço e disciplina. Embora essas sensações sejam conhecidas, o mecanismo pelo qual a atividade física exerce influência sobre o cérebro, a ponto de alterar o humor e o estado de espírito, é mal conhecido.

Um estudo recente publicado na revista “Cell”, por L. Agudelo e colaboradores do Instituto Karolinska, sugere que um metabólito do aminoácido triptofano (essencial para a produção de vitamina B3) esteja envolvido nesse mecanismo. Esse metabólito é a quinurenina.

A quinurenina e seus metabólitos (compostos resultantes de sua decomposição) participam de funções biológicas essenciais à sobrevivência, como a dilatação dos vasos sanguíneos durante os processos inflamatórios e a organização da resposta imunológica.

O cortisol e outros hormônios liberados durante o estresse e certos mediadores, que participam dos processos inflamatórios, ativam enzimas responsáveis pela síntese de quinurenina, aumentando sua produção, seus níveis na corrente sanguínea e a presença no cérebro. O aumento da produção de quinurenina pode precipitar sintomas depressivos.

Quando o estresse é acompanhado por exercícios físicos, as sucessivas contrações da musculatura promovem uma cascata de reações bioquímicas que levam ao aumento da produção de determinadas enzimas (KATs), que se encarregam de transformar quinurenina em ácido quinurênico.

Ao contrário do composto que lhe deu origem, o ácido quinurênico é incapaz de penetrar a barreira encefálica, dessa forma, o cérebro fica menos exposto aos efeitos depressivos da quinurenina, portanto mais resistente ao estresse.

Por essas razões, a atividade física deve ser incorporada às estratégias de prevenção e tratamento dos distúrbios relacionados com o estresse, como é o caso da depressão. Com os músculos exaustos, ficamos mais relaxados, otimistas e autoconfiantes.

O conhecimento desses mecanismos abre a possibilidade de desenvolver drogas/medicamentos que interfiram com os mediadores produzidos durante as contrações musculares, capazes de reduzir a quantidade de quinurenina na circulação sanguínea.

Referências:

VARELLA, Drauzio. A DEPRESSÃO E OS MÚSCULOS. 2015. Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/drauzio/artigos/a-depressao-e-os-musculos-artigo/>. Acesso 21 de maio de 2020

HOSPITAL SANTA MONICA. Os Benefícios do Exercício Físico na Saúde Mental

Disponível em: https://hospitalsantamonica.com.br/os-beneficios-do-exercicio-fisico-na-saude-mental/>. Acesso 21 de maio de 2020

SOARES, Vihena. INFLAMAÇÃO NO CÉREBRO CAUSADA POR ESTRESSE É GATILHO PARA A DEPRESSÃO. 2018. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2018/06/17/interna_ciencia_saude,689014/o-que-e-depressao.shtml>. Acesso 21 de maio de 2020

Referência da imagem:

TOLEDO, Karina. Pesquisa revela como o exercício físico protege o coração. São Paulo, SP: Agência FAPESP, 19 jul. 2017. Disponível em: http://agencia.fapesp.br/pesquisa-revela-como-o-exercicio-fisico-protege-o-coracao/25695/. Acesso em: 27 maio 2020.

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